Novos fornecedores garantem importação brasileira de fertilizantes

BATANEWS/BRASILAGRO


Aplicação de fertilizantesz- — Foto Divulgação Valtra

Mesmo com aguerra no Oriente Médio, as importações de fertilizantes somaram 13,1 milhões de toneladas no primeiro trimestre deste ano, 2% a mais do que em igual período do ano passado. Esse volume, no entanto, veio por caminhos diferentes.

O Turcomenistão, país da Ásia Central que não está na lista dos fornecedores tradicionais do insumo para o Brasil, foi o terceiro maior fornecedor em março, colocando 421 mil toneladas no mercado brasileiro. No primeiro trimestre, as importações do produto vindas do país somaram 733 mil toneladas. Até então, o Turcomenistão havia exportado apenas 66 mil toneladas ao Brasil, em 2021.

Canadá e Marrocos também foram importantes no fornecimento do insumo. Os canadenses colocaram 1,13 milhão de toneladas no mercado brasileiro, 47% a mais do que em 2025, e os marroquinos, 633 mil toneladas, 88% a mais. O Oriente Médio perdeu participação nesse item em que o Brasil tem a maior dependência externa. A região exportou 612 mil toneladas para o país de janeiro a março, o menor volume neste período do ano desde 2014.

Até agora, o Brasil conseguiu importar fertilizantes acima do volume de 2025, ano em que o atingiu recorde de compras. Os preços, no entanto, já não são os mesmos. Os gastos nacionais com a compra externa de adubo subiram para US$ 3,1 bilhões, 25% a mais do que em igual período do ano passado, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Outro item de peso na pauta de importação do agronegócio são osagrotóxicos. Até março, as compras acumuladas recuaram 2%, para 155 mil toneladas. Ao contrário do que ocorre com os fertilizantes, os preços dos agroquímicos são menores, e o país despendeu US$ 790 milhões, 13% a menos do que em igual período de 2025.

A importação de máquinas destinadas aos diversos usos na agricultura perdeu força devido ao menor poder de renda dos agricultores neste ano. As destinadas a cultivo, embalagens, seleção de frutas e outras finalidades somaram US$ 19,4 milhões, enquanto os gastos com colheitadeiras foram de US$ 10 milhões, o menor para o período desde 2020.

Já a importação de tratores ganhou força, atingindo US$ 64 milhões, 21% a mais do que no ano passado. Esse valor, no entanto, fica bem abaixo dos US$ 130 milhões de janeiro a março de 2023, período em que os preços das commodities ainda estavam acelerados.

A China ainda é a grande fornecedora de produtos relacionados ao agronegócio para o Brasil. No primeiro trimestre, os gastos brasileiros com produtos do país asiático foram de US$ 1,34 bilhão, alta de 2%. A Argentina vem a seguir, mas o país vizinho está com menor participação na balança comercial brasileira. Neste ano, forneceu US$ 862 milhões em produtos do setor ao Brasil, 18% a menos do que em 2025.

O Canadá foi um dos destaques, com avanço de 71% nas exportações para o mercado brasileiro, volume financeiro gerado basicamente pelo aumento das vendas de fertilizantes. Paraguai e Estados Unidos também estiveram na lista dos países que aumentaram as vendas para o Brasil nesses três primeiros meses do ano (Folha, 15/4/26)