46% dizem que o Brasil não passará das quartas de final na Copa

FOLHA/LUCIANO TRINDADE


Seleção brasileira sofre gol de Kylian Mbappé em amistoso contra a França - Michael Owens - 26.mar.26/AFP

Desde a última vez em que foi campeã mundial, em 2002, a seleção brasileira só passou das quartas de final de uma Copa do Mundo uma única vez, em 2014. Talvez tivesse sido melhor nem ter avançado, já que na semifinal daquela edição, disputada aqui, perdeu por 7 a 1 para a Alemanha.

Isso ajuda a entender porque 46% dos brasileiros acreditam que o Brasil não vai passar dessa fase no Mundial deste ano, segundo pesquisa Datafolha. De acordo com o instituto, 21% apostam que a equipe verde e amarela será eliminada justamente nas quartas de final. Para 10%, o adeus virá nas oitavas.

Há ainda um grupo bem mais pessimista: 14% duvidam que a seleção passe da fase de grupos, e 1% diz acreditar em desclassificação já no primeiro mata-mata.

Ainda que 44% dos entrevistados tenham afirmado que a formação liderada pelo italiano Carlo Ancelotti vai superar o trauma das quartas, 8% veem a semifinal como o fim da linha para o sonho do hexa, 7% acham que a equipe chegará à final, mas não levará a taça, e outros 29% indicam o Brasil como favorito ao título.

O índice registrado pelo Brasil como favorito renova o recorde negativo observado no levantamento anterior, realizado em julho de 2025, e se consolida como o menor percentual desde o início da série histórica, há cerca de três décadas. Há nove meses, pouco depois da chegada de Ancelotti, 33% dos entrevistados apostavam na seleção brasileira como campeã na edição sediada por Estados Unidos, Canadá e México.

O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em 137 municípios, entre os dias 7 e 9 de abril de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

De acordo com o instituto, os homens estão numericamente mais pessimistas do que as mulheres. Enquanto 32% delas indicam o Brasil como favorito ao título, esse índice cai para 26% entre o público masculino. A margem de erro por gênero é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, o que indica empate técnico no limite da margem.

É possível observar uma diferença ainda mais significativa entre os que desejam a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os que preferem eleger Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os eleitores do petista são mais otimistas, com 36% indicando o Brasil como favorito ao título.

Ainda entre os petistas, 9% apostam que a equipe verde e amarela será, ao menos, finalista do torneio, e 8% acreditam que a seleção chegará à semifinal. A soma, portanto, indica que 53% esperam que o time nacional supere o trauma das quartas. A margem de erro entre os eleitores de Lula é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Entre os eleitores de Bolsonaro, 26% apostam que o Brasil conquistará o hexa na América do Norte. Como 5% dizem acreditar que a seleção será, ao menos, finalista e outros 9% projetam eliminação na semifinal, menos da metade dos bolsonaristas, 40%, espera pelo fim do trauma das quartas. A margem de erro é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.

Independentemente de gênero ou posição política, o pessimismo geral dos brasileiros tem diversos fatores, sendo o histórico recente em Copas do Mundo um dos principais.

Depois do fracasso em casa, há 12 anos, o Brasil acumulou duas eliminações diante de adversários sem tradição de títulos mundiais. Em 2018, na Rússia, foi superado pela promissora, mas posteriormente frustrante, geração belga. Em 2022, no Qatar, o algoz foi a Croácia.

Ao todo, a seleção foi eliminada cinco vezes nas quartas de final no formato atual das Copas, quatro delas nos últimos 20 anos (2006, 2010, 2018 e 2022). A única queda diante de um país também campeão mundial ocorreu em 2006, contra a França, com gol de Thierry Henry.