Anvisa apura seis mortes suspeitas por pancreatite ligadas a canetas emagrecedoras

BATANEWS/REDAçãO


Foto: stefamerpik/Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária investiga seis mortes suspeitas associadas a quadros de pancreatite em pacientes que utilizaram canetas emagrecedoras no Brasil. As ocorrências ainda estão sob análise e envolvem medicamentos amplamente conhecidos no mercado, como Ozempic, Saxenda e Mounjaro.

O levantamento, obtido pelo G1 a partir do sistema de monitoramento da Anvisa, também aponta mais de 200 notificações de problemas relacionados ao pâncreas em usuários desse tipo de medicamento. Todos os casos de óbito registrados envolvem pacientes que desenvolveram pancreatite, apresentaram complicações e não resistiram.

Segundo dados do painel Vigimed, que reúne notificações de eventos adversos, há dois registros de mortes suspeitas associadas ao uso de Ozempic, três relacionadas ao Saxenda e uma vinculada ao Mounjaro. A Anvisa destaca, no entanto, que a presença do nome comercial nas notificações não garante que o produto utilizado fosse original. A agência alerta para a circulação de canetas falsificadas ou manipuladas, vendidas ilegalmente com nomes de marcas conhecidas.

No Brasil, a manipulação dessas substâncias é proibida, com exceção da tirzepatida em situações específicas. A comercialização regular é autorizada apenas às empresas detentoras do registro sanitário. A Anvisa reforça que a investigação pode levar anos até a conclusão, já que depende de análises técnicas detalhadas.

O tema ganhou repercussão internacional após um alerta divulgado no Reino Unido, onde autoridades sanitárias relataram 19 mortes suspeitas por pancreatite em usuários de medicamentos semelhantes, como Ozempic e Wegovy, usados no tratamento de diabetes e obesidade.

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas, órgão responsável por funções essenciais do sistema digestivo e metabólico. Em casos graves, o quadro pode evoluir rapidamente e levar à morte se não houver tratamento adequado.

Os medicamentos investigados pertencem à classe dos agonistas do GLP-1, substâncias que imitam um hormônio intestinal responsável por sinalizar saciedade, ajudando no controle do açúcar no sangue e na redução do apetite.

Ao G1, a Novo Nordisk, responsável por Ozempic e Saxenda, informou que as bulas dos medicamentos já trazem advertência sobre o risco de pancreatite e ressaltou que pacientes devem ser acompanhados por profissionais de saúde. A empresa destaca ainda que diabetes e obesidade, condições comuns entre os usuários, são fatores de risco independentes para o desenvolvimento da doença.

Já a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, afirmou que monitora continuamente os registros de segurança e que a pancreatite aguda é descrita em bula como uma reação adversa incomum. A orientação é interromper o uso do medicamento e procurar um médico ao surgirem sintomas suspeitos.

Apesar das investigações, autoridades sanitárias e especialistas afirmam que, até o momento, não há indicação para a suspensão do uso das canetas emagrecedoras. O consenso é de que a prescrição responsável, a compra de produtos regularizados e o acompanhamento médico contínuo são fundamentais para reduzir riscos e garantir a segurança dos pacientes.