Mãe de menina que ingeriu catuaba é solta e deverá frequentar o Caps

Mulher disse que deixou filha com amiga e quando voltou, encontrou criança dormindo e não estranhou

BATANEWS/CGNEWS


Brinquedos e paredes coloridas para atender crianças e adolescentes vítimas de violência. (Foto: Henrique Kawaminami)

A mãe da menina de 2 anos - criança que foi internada com convulsões após ingerir meia garrafa de catuaba - conseguiu liberdade provisória durante audiência de custódia nesta segunda-feira (9), em Campo Grande. A Justiça ordenou que ela passe a frequentar o Caps (Centro de Atenção Psicossocial). A criança foi transferida para a Santa Casa.

O caso foi comunicado à polícia na noite de sábado (7). Policiais militares foram acionados pela assistência social do posto de saúde do Bairro Coophavilla II, onde a menina deu entrada trazida pela própria mãe. Durante a triagem, a criança apresentou convulsão e foi levada diretamente para a ala vermelha. A avaliação médica constatou traumatismo cranioencefálico, sinais de intoxicação alcoólica, hipoglicemia e crise convulsiva.

A mãe relatou inicialmente que a criança havia ingerido a bebida alcoólica que estava no chão da residência, ficando sonolenta, sendo colocada para dormir. Em seguida, a menina caiu da cama, batendo a cabeça. Após a queda, apresentou tremores, reviramento ocular e perda de responsividade, o que motivou o encaminhamento para atendimento médico. Após dar entrada na unidade de saúde, a mãe fugiu do local.

No posto de saúde estava a avó da criança, que afirmou não saber exatamente o que havia ocorrido, mas relatou que a filha é usuária de drogas e álcool. Segundo a avó, a mãe da criança estava descalça, alcoolizada, com falas desconexas e roupas sujas.

A mãe da criança foi localizada posteriormente em sua residência, apresentando escoriações, cortes de faca no braço e trauma na perna causado por chute. Ela informou que os ferimentos foram decorrentes de uma briga com uma amiga após tomar conhecimento do ocorrido com a filha.

Audiência - Em audiência de custódia, a mulher afirmou que não trabalha e que é usuária de maconha há mais de seis anos, além de cocaína. Disse ainda que tem outros dois filhos, de 7 e 4 anos. Em depoimento, relatou que saiu de casa para realizar uma diária de limpeza em um bar, onde permaneceu até a madrugada. Depois, passou em um estabelecimento, bebeu cerveja e retornou para casa, deixando as crianças sob os cuidados de uma amiga.

Ao chegar em casa, encontrou a filha de 2 anos dormindo e não estranhou a situação. A criança dormiu durante toda a manhã. Mais tarde, a amiga retornou e informou que a menina havia caído. Somente por volta das 13h, ao perceber um galo na cabeça da filha, a mãe notou algo errado. Em seguida, a criança acordou passando mal, vomitando e convulsionando.

A amiga contou que havia ingerido catuaba na residência com as crianças, mas afirmou não ter visto se a menina também havia bebido. Diante do quadro clínico e das circunstâncias, foi levantada a suspeita de maus-tratos por negligência.

Em audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória à mãe, com a determinação de que ela frequente regularmente o Caps. O juiz também determinou que o Conselho Tutelar acompanhe o caso e que o Ministério Público seja oficiado para tomar as providências que entender cabíveis.