Agricultura
Armadilhas conectadas e inteligentes prometem proteger plantações contra pragas
Tecnologia captura insetos e gera imagens para monitorar a lavoura com uso de inteligência artificial e visão computacional Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) Clique para compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela)
BATANEWS/O PRESENTE RURAL
Uma parceria entre a empresa de tecnologia Elsys, a Embrapa Agricultura Digital e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo vai testar soluções de conectividade e o uso de armadilhas inteligentes para o manejo integrado de pragas em pequenas e médias propriedades rurais. O acordo de cooperação técnica, estabelecido no final de dezembro, deve beneficiar produtores rurais em Alto Alegre, Jacupiranga e Lagoinha.
Os municípios paulistas estão entre os dez selecionados pelo projeto Semear Digital em todo o Brasil para funcionar como Distritos Agrotecnológicos (DATs) e receber ações para ampliar o acesso à internet e para a adoção de tecnologias digitais na produção agropecuária. A partir desta nova parceria dentro do projeto, a expectativa é que neste mês estejam em operação as primeiras antenas de longo alcance para levar conectividade 4G a áreas rurais sem cobertura de sinal.
“A realização de provas de conceito nos DATs destes municípios é mais uma etapa na busca de soluções de conectividade no campo. Com estes equipamentos instalados, a equipe do projeto poderá testar dispositivos de internet das coisas (IoT) e inteligência artificial em áreas de produção e validar se a solução da Elsys pode ser adotada de forma mais ampla', explica Luciana Alvim Romani, coordenadora de parcerias do Semear Digital e pesquisadora da Embrapa.
A parceria com a Elsys envolve ainda a participação direta do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e do Instituto Agronômico (IAC). Para a pesquisadora Priscilla Fagundes, do IEA, que atua no projeto, a escolha de implantação da tecnologia nesses municípios vai ao encontro dos esforços que a Secretaria de Agricultura vem fazendo para ampliar a conectividade nas regiões agricultáveis do estado de São Paulo. “Com isso, o objetivo é contribuir para aumentar a competitividade do pequeno e médio produtor paulista por meio da agricultura digital', completa.
Em Alto Alegre, a parceria também prevê a instalação de uma solução da Elsys AI para apoiar o manejo integrado da broca-da-cana-de-açúcar, uma das principais pragas que afetam os canaviais no Brasil, prejudicando o desenvolvimento e a produtividade da cultura. A tecnologia consiste numa armadilha para captura dos insetos e na geração de imagens para monitorar diariamente a lavoura, de forma remota, com uso de técnicas de inteligência artificial e visão computacional.
Foto: Magda Cruciol
“A armadilha digital é capaz de fornecer informações sobre o nível de infestação da praga e gerar mapas georreferenciados e alertas que chegam até o produtor via aplicativo de mensagens no celular e vão ajudá-lo a tomar decisões para o controle e manejo', explica Franz Bories, gerente de Novos Negócios da Elsys. Com informações mais detalhadas sobre as condições da plantação, que orientam quando e onde agir, é possível otimizar o uso de defensivos e outros produtos na lavoura e alcançar mais economia e sustentabilidade na produção.
A solução já foi instalada para testes em uma propriedade no bairro Santana e os primeiros dados coletados no experimento serão analisados pela equipe do projeto Semear Digital e da Elsys. Bories explica que o objetivo é não somente validar os ganhos da automação no monitoramento de pragas, mas também democratizar e expandir o acesso a essa tecnologia para diversas propriedades rurais e culturas agrícolas.
“A solução de armadilha para a cana-de-açúcar é apenas uma das opções que temos desenvolvidas dentro da Elsys e queremos que seja o pontapé inicial de uma parceria que visa colaborar com a agricultura do Brasil, estendendo posteriormente para outros cultivos importantes, como soja e citros, promovendo maior eficiência, produtividade e sustentabilidade no campo”, afirma.
Fotos: Divulgação/Arquivo OPR
Lançado em 2023, o Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital (Semear Digital) é liderado pela Embrapa Agricultura Digital e tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A iniciativa tem como foco a inclusão de pequenos e médios produtores rurais no processo de transformação digital do campo. O objetivo é promover soluções de conectividade em áreas rurais e a inserção de tecnologias digitais, envolvendo por exemplo inteligência artificial e sensoriamento remoto, automação e agricultura de precisão, rastreabilidade e certificação.
As ações do projeto são realizadas em dez Distritos Agrotecnológicos (DATs) selecionados nas cinco regiões do País, cobrindo todos os biomas brasileiros e diferentes cadeias produtivas. Além da Embrapa, o projeto tem como instituições associadas o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), o Instituto Agronômico (IAC), o Instituto de Economia Agrícola (IEA), o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e a Universidade Federal de Lavras (UFLA).





