“Não tem mais o que conceder', diz Trad sobre piso salarial

O Executivo Municipal havia proposto escalonar o reajuste salarial em seis parcelas, a serem cumpridas entre março deste ano e outubro de 2024

BATANEWS/CORREIODOESTADO


ACP deve realizar na sexta-feira uma nova assembleia para discutir uma possível greve - Gerson Oliveira

Como última resposta à negociação do reajuste salarial dos professores da Rede Municipal de Ensino (Reme), o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), afirmou ao Correio do Estado que não há mais o que conceder aos profissionais da educação.

“Não cabe mais à prefeitura. Eu elaborei um cronograma para honrar esse compromisso com os professores para pagá-los direitinho, um programa com reajuste maior, de 67,13%. Qual trabalhador teve um aumento deste no Brasil? Os professores deveriam reconhecer isso', ponderou.

O Executivo Municipal havia proposto escalonar o reajuste salarial em seis parcelas, a serem cumpridas entre março deste ano e outubro de 2024. Ao todo, o prefeito da Capital ofereceu 67,13% de aumento aos profissionais da educação.

A proposta da prefeitura da Capital que não considerava a lei do piso municipal 5.411/2014, para uma jornada de 20, foi avaliada. 

Em resposta, o Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP-MS) reajustou o texto, buscando garantir que o piso nacional salarial reajustado em 33,24% neste ano pelo governo federal fosse cumprido.

A contraproposta foi encaminhada na segunda-feira para aprovação, dando até ontem como prazo para um posicionamento da prefeitura, que não aceitou as mudanças.

Com a decisão negativa, é previsto que haja uma paralisação dos profissionais da educação nesta sexta-feira, como forma de manifesto ao município, e greve a partir do dia (16). As ações de manifestação por parte dos professores já tinham sido informadas pela ACP-MS.

“Caso a prefeitura não concorde com os termos apresentados pela ACP, está mantido o dia de paralisação deliberado em Assembleia, para a sexta-feira', conforme nota oficial. Trad disse que a classe não enxerga esses dois anos de pandemia da Covid-19, em que nenhum profissional foi demitido ou teve salário reduzido.

“Nós estamos há dois anos em pandemia, e eu não atrasei um salário deles, não demitimos ninguém, não reduzimos a carga horária, não diferenciamos o pagamento para convocados e efetivos. Não estamos virando as costas, acontece que toda vez que concedemos algo, eles criam outro empecilho', salientou.

Por fim, o prefeito reforçou que os professores criam obstáculos procrastinando um consenso. “Parece que querem procrastinar, para desgastar ou para politizar o reajuste, não sei mais o que eles querem. O que eles pediram foi dado, não aceitaram porque eles mesmos criaram outro obstáculo', finalizou.

Atualmente, o piso municipal corresponde a 55,07% do piso nacional do magistério. Na prática, o professor em início de carreira recebe por volta de R$ 2.117,73, abaixo do valor de R$ 3.845,63 referente ao reajuste de 33,24% proposto pelo governo federal para este ano.

PROPOSTA DA PREFEITURA

Conforme proposta apresentada pelo prefeito, os primeiros 10,06% de reajuste, aprovados no mês passado, serão pagos já neste mês de março, referente ao reajuste linear a todo serviço público municipal.  

A segunda parcela do reajuste é de 10,39%, sendo incorporada ao salário dos professores em novembro deste ano. O terceiro aumento no salário dos professores ocorrerá em maio de 2023: 11,67%. 

O quarto reajuste, também de 11,67%, será pago em outubro de 2023. A proposta ainda prevê a quinta parcela (11,64%), em maio de 2024, e a sexta parcela (11,67%), em outubro de 2024.