Política
Governo e PT criam instabilidade com luta pelo comando da economia
Ajuste fiscal é escolha, principalmente, sobre quem vai pagar a conta
BATANEWS/VEJA | JOSé CASADO
Na campanha eleitoral Lula manteve a indefinição e estimulou a cizânia no Partido dos Trabalhadores. Com a reeleição garantida, os petistas agora se consomem num confronto interno sobre qual política econômica deveria ser adotada a partir de janeiro. É curioso porque, até pela experiência de doze anos em três governos, todos no PT sabem que na economia quem decide é Lula.
Divergências fazem parte da essência petista. Porém, desde a chegada ao poder na eleição presidencial de 2002, o debate sobre a economia ficou menos importante no PT do que a luta pelo controle de áreas-chave no planejamento e na condução da política econômica.
O pretexto da disputa interna hoje, como era há 24 anos, é sobre a necessidade, a dimensão, a velocidade e o método para reequilíbrio das contas públicas.
Ajuste fiscal é escolha, principalmente, sobre quem vai pagar a conta. Na campanha de 2002, Lula divulgou carta indicando o rumo escolhido. A previsibilidade na economia abriu espaço para negociações políticas que ele julgava fundamentais à estabilidade governamental. Desta vez, preferiu manter a indefinição.
O governo saiu das urnas rachado. Parte acha essencial e urgente um “freio de arrumação” nos gastos públicos, inclusive nos programas sociais, para evitar uma escalada no endividamento público. Outro grupo considera essa opção recessiva e até indutora da percepção de um estelionato eleitoral (em dez meses de campanha, Lula gastou em média um bilhão de reais por dia numa lista de promessas custeada por um orçamento que já era deficitário).
Nesta segunda-feira, Dario Durigan, ministro da Fazenda, achou importante anunciar que não haverá “tabelamento de juros” nem acrobacias econômicas. Foi a segunda vez, nos últimos três meses, que o ministro da Fazenda atropelou em público uma ala petista defensora do aumento dos gastos públicos por não reconhecer a existência de um drama fiscal. Para esse grupo, a expansão econômica impulsionada pelo setor público criaria condições para progressiva redução da taxa de juros, uma das mais altas do planeta.
Aparentemente, a intervenção de Durigan ocorreu com o aval presidencial. Governo e PT estão fomentando um ambiente de instabilidade econômica, cujas sequelas no mercado financeiro tendem a prevalecer ainda que, eventualmente, nada de novo aconteça na política econômica do quarto mandato de Lula.





