Em Fortaleza, Lula defende soberania e questiona: ‘Vamos eleger vira-lata que fica puxando saco do Trump?’

Presidente afirmou que eleição coloca em jogo a soberania do país e disse que Brasil deve explorar e industrializar terras raras e minerais críticos.

BATANEWS/G1


Lula em evento de campanha em Belém — Foto: Divulgação

O presidente Lula criticou nesta terça-feira (29), em Fortaleza (CE), políticos que "ficam puxando saco" de Donald Trump, defendendo a soberania nacional.

Sem citar nominalmente o adversário Flávio Bolsonaro, Lula comparou as ações de seus governos com a gestão de Jair Bolsonaro.

O presidente relacionou a defesa da soberania à exploração de minerais do país, afirmando que eles devem ser industrializados no Brasil.

Na terça-feira (22), na ONU, Lula declarou que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém" e rejeitou interferências externas nas eleições.

Em comício na quinta-feira (24), Lula citou Trump nominalmente e disse que o americano perderá caso tente interferir no pleito brasileiro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira (29), durante discurso em Fortaleza (CE), políticos que, segundo ele, “ficam puxando saco' do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Lula, contudo, não citou nominalmente o adversário político, senador Flávio Bolsonaro (PL), que também concorre, nas eleições deste ano, à Presidência da República.

Ao defender a soberania brasileira, Lula afirmou que o pleito deste ano vai definir se o país será “dono do seu quintal' ou permitirá que outros países deem “palpite' em decisões nacionais.

“É isso que está em jogo: se o Brasil vai ser dono do seu quintal ou se vai vir alguém aqui dar palpite na nossa vida; se vamos eleger uma pessoa que tem caráter, que tem biografia e que tem compromisso com o Brasil ou vira-lata que fica puxando saco do Trump. É isso que está em jogo', afirmou Lula.

Ao longo do discurso, Lula comparou ações de seus governos com as da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro.

Na sequência, o presidente relacionou a defesa da soberania à exploração das reservas de terras raras e minerais críticos do país.

Lula afirmou ainda que esses recursos devem ser explorados, transformados e industrializados no Brasil.

“Tenho certeza que vocês querem que as terras raras e os minerais críticos sejam explorados, transformados, industrializados por nós', disse.

Discurso reiterado

A declaração desta terça se soma a uma série de falas recentes de Lula sobre Trump e uma eventual interferência estrangeira nas eleições brasileiras.

Na terça passada (22), durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, Lula defendeu a soberania brasileira e afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém'.

Sem citar Trump nominalmente nesse trecho, o presidente também disse que o país não permitiria interferências externas no processo eleitoral.

“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano', afirmou Lula na ONU.

Dois dias depois, na quinta (24), em um comício em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Lula citou Trump nominalmente e afirmou que o presidente americano iria “perder' caso tentasse interferir no pleito brasileiro.

“Esse país que eu tenho dito para o Trump que, nas eleições daqui, se ele meter a mão, vai perder aqui as eleições. A gente não vai aceitar a ingerência de ninguém', disse na ocasião.