Agricultura
Soja cresce, milho perde produção global e trigo eleva estoques na safra 2026/27
Estimativas do USDA mostram cenários distintos para as três commodities, com Brasil entre os principais participantes do mercado.no Telegram(abre em nova janela) Telegram
BATANEWS/OPR
As novas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27 mostram um cenário de ajustes no mercado mundial de grãos, com alterações nas projeções de produção, consumo, comércio exterior e estoques de soja, milho e trigo. A leitura do relatório WASDE, divulgada em setembro, indica movimentos distintos entre as três commodities, enquanto o Brasil mantém participação relevante nas projeções globais.
De acordo com a Consultoria Agro Itaú BBA, que analisou os dados do USDA, a soja apresenta crescimento da produção mundial, enquanto o milho tem redução na oferta projetada e o trigo registra revisão positiva dos estoques finais globais.
Para a soja, o USDA elevou a estimativa de produção dos Estados Unidos de 123 milhões para 123,4 milhões de toneladas. A projeção para as exportações norte-americanas também foi revisada, passando de 45,2 milhões para 45,9 milhões de toneladas.
A estimativa de importações da China permaneceu em 115 milhões de toneladas, mantendo o país como um dos principais componentes da demanda internacional pela oleaginosa.
No balanço mundial, a produção de soja está projetada em 442 milhões de toneladas, crescimento de 3% em relação ao ciclo anterior. O consumo global também aparece em 442 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais foram estimados em 124 milhões de toneladas, queda de 1%. A relação estoque/consumo está calculada em 28%.
O Brasil aparece entre os principais fornecedores mundiais. Para a safra 2026/27, o USDA estima produção brasileira de 186 milhões de toneladas, com exportações de 118 milhões de toneladas e consumo doméstico de 69,6 milhões de toneladas. Os estoques finais brasileiros estão projetados em 36,9 milhões de toneladas.
No milho, o cenário apresentado pelo USDA é marcado por uma redução na produção norte-americana. A estimativa para os Estados Unidos caiu de 407 milhões para 401 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais do país foram revisados de 42 milhões para aproximadamente 40 milhões de toneladas.
Em escala global, a produção de milho está estimada em 1,291 bilhão de toneladas, queda de 3%. O consumo mundial, por outro lado, foi projetado em 1,313 bilhão de toneladas, alta de 1%. Com esse quadro, os estoques finais globais foram estimados em 272 milhões de toneladas, redução de 10%, com relação estoque/consumo de 21%.
Para o Brasil, o USDA mantém uma projeção de 139 milhões de toneladas de produção. O consumo doméstico foi revisado de 100 milhões para 102 milhões de toneladas. Desse volume, 65 milhões de toneladas correspondem ao uso para alimentação animal e 37 milhões ao consumo industrial.
As exportações brasileiras de milho estão estimadas em 43 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais devem ficar em 10,6 milhões de toneladas.
Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, os números do USDA colocam o balanço global do milho em um cenário diferente daquele observado para a soja, principalmente pela combinação entre menor produção mundial projetada e crescimento do consumo.
No trigo, o USDA elevou a projeção para o consumo mundial de 819 milhões para 822 milhões de toneladas. Os estoques finais globais também foram revisados para cima, passando de 273 milhões para 276 milhões de toneladas.
A produção mundial está estimada em 822 milhões de toneladas, enquanto a relação entre estoques e consumo chega a 34%.
Entre os principais produtores, a estimativa para a Rússia foi reduzida de 89 milhões para 88 milhões de toneladas. Já a produção da Argentina foi elevada de 21 milhões para aproximadamente 22 milhões de toneladas.
A Rússia aparece com previsão de exportação de 43 milhões de toneladas. Para a Argentina, o USDA estima embarques de 15,5 milhões de toneladas. Ucrânia e União Europeia também permanecem entre os principais participantes do comércio internacional, com exportações projetadas em 12,5 milhões e 31 milhões de toneladas, respectivamente.
No Brasil, a estimativa de produção foi revisada de 6,1 milhões para 6 milhões de toneladas. As importações estão projetadas em 7,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo doméstico deve chegar a 12,3 milhões de toneladas. Para as exportações brasileiras, a projeção é de 1,9 milhão de toneladas.
As projeções de setembro mostram que os três mercados apresentam fundamentos diferentes para a safra 2026/27. Na soja, o USDA trabalha com crescimento da produção e do consumo mundiais, enquanto os estoques finais apresentam pequena redução. No milho, a oferta global projetada diminui em um contexto de consumo maior. Já no trigo, o aumento do consumo vem acompanhado de uma revisão positiva dos estoques finais.
Para o agronegócio brasileiro, os números reforçam a relevância do país no comércio internacional de grãos. O Brasil aparece com produção expressiva de soja e milho e permanece integrado ao mercado mundial de trigo por meio de importações, consumo doméstico e exportações.
A Consultoria Agro Itaú BBA ressalta, a partir dos dados do WASDE, que as revisões realizadas pelo USDA devem ser acompanhadas dentro do balanço de cada commodity, considerando as mudanças nas estimativas de produção, consumo, comércio e estoques ao longo da temporada 2026/27.






