Nova pesquisa mostra como ficou a intenção de voto em Lula entre beneficiários do Bolsa Família após reajuste

Levantamento BTG/Nexus foi realizado depois de o governo anunciar aumento do benefício e mostra como votam os eleitores atendidos pelo programa

BATANEWS/VEJA


Pessoa com o cartão do Bolsa Família (./Divulgação)

O anúncio do reajuste do Bolsa Família não foi acompanhado, até agora, por aumento na intenção de voto em Luiz Inácio Lula da Silva entre os beneficiários do programa. Na nova pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 21, 64% dos entrevistados que recebem o benefício ou moram com algum beneficiário dizem votar no presidente no primeiro turno, exatamente o mesmo percentual registrado na rodada anterior.

A comparação chama atenção pelo calendário. O governo anunciou na quinta-feira, 17, reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o piso de 600 para 691 reais e estimando um benefício médio de 777 reais. A atual rodada da BTG/Nexus ouviu os eleitores entre os dias 18 e 20 de setembro, portanto depois do anúncio, enquanto a pesquisa anterior foi realizada antes da divulgação da medida.

Lula ganhou votos entre os beneficiários do Bolsa Família?

Não houve variação no percentual de Lula nesse grupo entre as duas rodadas. O presidente tinha 64% das intenções de voto entre beneficiários ou pessoas que vivem com algum beneficiário na pesquisa divulgada em 14 de setembro e permaneceu com 64% no levantamento atual.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, passou numericamente de 20% para 17% nesse segmento. Como as variações devem ser lidas à luz da margem de erro e dos tamanhos das subamostras, o levantamento não permite atribuir ao reajuste do programa uma mudança específica no comportamento eleitoral.

Como votam os beneficiários do programa?

O Bolsa Família continua sendo um dos recortes em que Lula registra seus maiores percentuais de intenção de voto. Entre quem recebe o benefício ou mora com algum beneficiário, o presidente aparece com 64%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 17%.

O contraste é grande em relação aos entrevistados que não recebem o benefício e não vivem com beneficiários. Nesse grupo, Lula aparece com 36% e Flávio com 40%, cenário bastante mais equilibrado do que entre as famílias alcançadas pelo programa.

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O reajuste alterou imediatamente o cenário eleitoral?

A pesquisa não mostra aumento da intenção de voto em Lula entre os beneficiários após o anúncio. O resultado, porém, registra apenas o cenário observado nos primeiros dias depois da divulgação da medida e não permite estabelecer uma relação de causa e efeito entre o reajuste e a escolha eleitoral.

A própria apresentação da BTG/Nexus destaca que o governo esperava melhora em seus indicadores após o anúncio, mas a rodada também não registrou avanço na avaliação da administração. A aprovação oscilou de 47% para 46%, enquanto a desaprovação passou de 49% para 50%; na avaliação qualitativa, ótimo e bom foram de 37% para 35% e ruim e péssimo passaram de 44% para 46%.

Quanto aumentou o Bolsa Família?

O reajuste anunciado pelo governo foi de 15,04%, correspondente à inflação acumulada pelo INPC desde 2023. O valor mínimo do programa passará de 600 para 691 reais, enquanto o benefício médio, segundo estimativa oficial, subirá de cerca de 675 para 777 reais.

A estimativa apresentada pelo governo é de impacto fiscal de 27,8 bilhões de reais entre 2026 e 2027, sendo 5,8 bilhões neste ano e aproximadamente 22 bilhões no próximo.

Qual a metodologia da pesquisa?

A 15ª rodada da pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.006 pessoas por telefone entre os dias 18 e 20 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00485/2026.