'Eu não era presidente quando Moraes foi indicado', diz Lula em meio a crise no STF

O presidente afirmou que o ministro prestou ‘grandes serviços à democracia’, mas tentou reduzir associação

BATANEWS/CARTACAPITAL


O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e o presidente Lula (PT). Foto: Sérgio Lima/AFP

O presidente Lula (PT) relembrou nesta quarta-feira 16 não ter sido o responsável por nomear Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal, em meio ao impacto da crise na Corte sobre a campanha eleitoral. A indicação de Moraes partiu de Michel Temer (MDB), em 2017.

“Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte. Ele [Flávio Bolsonaro] era senador, ele deve ter votado', afirmou Lula em entrevista ao podcast Desce a Letra. Flávio, porém, só assumiu o mandato de senador em 2019. À época da indicação de Moraes, o filho de Jair Bolsonaro era deputado estadual no Rio de Janeiro.

A campanha de Lula tenta rebater a associação feita pela oposição entre o presidente e Moraes. A estratégia é lembrar que o ministro foi escolhido por Temer e que sua trajetória inclui episódios de confronto com setores do PT antes de chegar ao STF. Em 2018, por exemplo, Moraes votou contra um habeas corpus apresentado pela defesa de Lula que questionava a prisão após condenação em segunda instância.

Apesar da tentativa de estabelecer distância, Lula não adotou uma postura de confronto com o ministro. Ao contrário, fez uma avaliação positiva da atuação de Moraes durante as eleições de 2022 , quando ele presidia o Tribunal Superior Eleitoral. 

“Eu acho que o Alexandre de Moraes prestou dois grandes serviços à democracia brasileira. Ele foi presidente do TSE nas eleições que eu ganhei. Ele sabe, o Brasil sabe a tentativa que o Bolsonaro fez para destruir a credibilidade da urna brasileira, que é o processo eleitoral mais moderno e mais rápido', disse Lula.

A ponderação aparece também na defesa feita pelo presidente de que eventuais irregularidades envolvendo ministros do STF devem ser investigadas. Depois da sessão extraordinária que tratou do relatório da Polícia Federal sobre mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, Lula afirmou que não deveria haver tratamento diferenciado para autoridades.

“Todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado. Eu defendo um julgamento justo, com direito de defesa, mas se a pessoa cometeu delito, ela tem que pagar o preço. Isso vale para mim, vale para o Alexandre de Moraes, vale para o Fachin.'

Na mesma linha, Lula citou André Mendonça e Kassio Nunes Marques, ministros indicados por Jair Bolsonaro, ao reforçar que as escolhas para o STF não são responsabilidade de seu governo. A referência veio em meio às discussões sobre as mensagens apreendidas pela PF no celular de Vorcaro.

“Eu não era presidente quando eles indicaram o Kássio [Nunes Marques], ele deve ter votado. Eu não era presidente quando eles indicaram o André Mendonça. Portanto, ele é o culpado, e não eu', disse Lula. 

O presidente também atribuiu a Flávio Bolsonaro uma motivação política para os ataques a Moraes e relacionou a ofensiva às decisões tomadas pelo ministro contra Jair Bolsonaro e outros investigados na trama golpista.

“A obsessão deles é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles não querem brigar com o Alexandre pelo Banco Master. Não é por isso que eles têm raiva. Ele [Flávio Bolsonaro] tem rabo preso ao Banco Master mais do que qualquer outra pessoa. A raiva dele do Alexandre é porque o Moraes mandou prender o cara que mandou matar a Marielle, ele tem raiva porque o Moraes mandou prender o pai dele e os golpistas do 8 de Janeiro', afirmou.