Sorgo cresce 24,9% e ganha novos mercados além da alimentação animal

Resistente à seca e com múltiplas aplicações, o sorgo deve alcançar 7,62 milhões de toneladas na safra 2025/26.

BATANEWS/OPR


Foto: Divulgação/Magnific

Soja, milho e arroz ainda concentram grande parte da produção de grãos no Brasil, mas o sorgo vem ampliando sua participação nas lavouras e diversificando os mercados consumidores. Com maior tolerância a condições de déficit hídrico e diferentes possibilidades de uso, o cereal tem avançado tanto na alimentação animal quanto na indústria de alimentos, produção de energia e sistemas agrícolas.

Originário de regiões da África e da Ásia, o sorgo é o quinto cereal mais produzido no mundo. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 7,62 milhões de toneladas na safra 2025/26, volume 24,9% superior ao registrado na temporada anterior.

Goiás lidera a produção nacional, com cerca de 1,7 milhão de toneladas, o equivalente a 33% do total projetado para o país. Na sequência aparecem Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Alimentação animal concentra demanda A principal destinação do sorgo produzido no Brasil ainda é a alimentação animal. O cereal é utilizado na formulação de rações para diferentes espécies, incluindo aves, suínos e bovinos.

A utilização está relacionada, entre outros fatores, à capacidade da cultura de apresentar desempenho em condições climáticas nas quais outras lavouras podem enfrentar maiores limitações. “O sorgo deixou de ser uma cultura alternativa para assumir um papel estratégico dentro do planejamento agrícola. Sua resistência às condições climáticas adversas e sua versatilidade de uso fazem dele uma opção cada vez mais importante para o produtor rural', afirma Luís Schiavo.

Cereal chega à alimentação humana Embora seja mais conhecido pela utilização na nutrição animal, o sorgo também vem ganhando espaço na indústria de alimentos. Por ser Dia de campo mostra o potencial do sorgo no Arenito Caiuá naturalmente livre de glúten, o grão pode ser utilizado por consumidores que precisam evitar essa proteína.

A farinha de sorgo pode entrar na composição de diferentes produtos, como massas, biscoitos, barras de cereais, flocos e cereais matinais. O cereal também pode ser empregado na fabricação de bebidas, incluindo cervejas e destilados.

Esse mercado amplia as possibilidades de utilização do grão e cria uma demanda diferente daquela tradicionalmente associada às rações.

Sorgo também pode gerar energia As aplicações do cereal não se restringem à alimentação. O sorgo sacarino, por exemplo, pode ser utilizado como matéria-prima para a produção de etanol.

Há ainda variedades destinadas à produção de biomassa, que podem ser aproveitadas para geração de energia elétrica e calor. Nesse caso, a cultura passa a integrar alternativas de aproveitamento energético de origem agrícola.

Da lavoura para a vassoura Entre as utilizações menos conhecidas está o chamado sorgo-vassoura. A variedade é cultivada especificamente para o aproveitamento de suas fibras na fabricação de vassouras artesanais e industriais. “As fibras longas e resistentes da planta são utilizadas há décadas em diversos países, mostrando que o sorgo vai muito além da alimentação', comenta Schiavo.

Cultura também participa da conservação do solo Outra frente de utilização está relacionada ao manejo agrícola. Algumas variedades de sorgo podem ser empregadas como cobertura vegetal e em sistemas de rotação de culturas, contribuindo para a proteção do solo entre os ciclos produtivos.

Nesse contexto, o manejo da fertilidade também influencia o desenvolvimento da lavoura. O fornecimento adequado de nutrientes de acordo com as necessidades da cultura pode favorecer o crescimento das plantas e o potencial produtivo, especialmente em condições climáticas adversas. “O produtor procura hoje culturas que ofereçam produtividade, segurança e capacidade de adaptação às mudanças climáticas. O sorgo reúne essas características e ainda contribui para uma agricultura mais sustentável, ajudando a conservar o solo, reduzir a erosão, manter a umidade e melhorar as condições para os cultivos seguintes', ressalta Schiavo.

Com o avanço da produção brasileira, o sorgo deixa de ocupar apenas um espaço complementar entre os grãos e passa a integrar estratégias de diversificação agrícola, sobretudo em regiões sujeitas a períodos de menor disponibilidade hídrica.