Zema: 'uso medicinal do canabidiol não justifica liberação de drogas'

Candidato a presidente pelo Novo afirmou que mudanças na política de drogas cabem ao Congresso, e não ao Judiciário, e defendeu ensino domiciliar e escolas cívico-militares.

BATANEWS/G1


Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência, participa de reunião com mulheres em São Paulo — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Zema apresentou uma carta a cristãos em que diz que o uso medicinal do canabidiol não pode servir de “pretexto para a liberação irresponsável das drogas'.

O documento afirma que mudanças na política de drogas devem ser decididas pelo Congresso, “e não impostas pelo Poder Judiciário'.

Na educação, a carta defende o ensino domiciliar e as escolas cívico-militares.

O candidato promete propor a proibição das bets e restringir publicidade e patrocínios das plataformas.

A carta também se posiciona contra a ampliação das hipóteses em que o aborto é permitido por lei.

O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) apresentou nesta quarta-feira (9) uma carta a cristãos em que afirma que o uso medicinal de substâncias como o canabidiol não pode servir de “pretexto para a liberação irresponsável das drogas'.

O documento também diz que mudanças na política de drogas devem ser decididas pelo Congresso, “e não impostas pelo Poder Judiciário', e defende o homeschooling (ensino domiciliar) e as escolas cívico-militares.

Durante o evento de apresentação da carta, em Brasília, Zema afirmou que o Brasil vive uma crise moral e de valores.

“Fica muito claro que estamos vivendo uma crise moral no Brasil, uma de princípios e de valores. Estamos aqui exatamente por esse motivo, para deixar claro o nosso compromisso', disse.

A carta reúne 12 compromissos assumidos por Zema e pelo candidato à vice-presidência Eduardo Girão (Novo). Veja os principais pontos:

Educação: defesa do ensino domiciliar e das escolas cívico-militares, além do direito das famílias de escolher um projeto pedagógico de acordo com suas convicções.Aborto: oposição à ampliação das hipóteses permitidas por lei e promessa de apoio a gestantes em situação de vulnerabilidade.Bets: compromisso de defender no Congresso uma legislação que proíba as plataformas de apostas e de restringir publicidade e patrocínios.

Drogas e segurança: oposição à flexibilização da maconha para uso recreativo e promessa de combater o crime organizado e o comércio ilegal de cigarros eletrônicos.Supremo Tribunal Federal: promessa de enfrentar o que o documento classifica como “arbítrios da Suprema Corte'.

Receberam o documento durante o evento representantes do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (Fonif), da Associação Brasileira das Instituições Evangélicas de Ensino (ABIEE), da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) e da Aliança Evangélica Brasileira.

Também participaram pastores de igrejas independentes, batistas, presbiterianas e pentecostais.

Aborto, drogas e liberdade religiosa

A carta afirma que a chapa defenderá a vida “desde a concepção até a morte' e será contrária a qualquer tentativa de ampliar as hipóteses em que o aborto é permitido.

Pela lei brasileira, atualmente, o aborto é permitido em três casos: quando a gestação é decorrente de estupro; quando há risco à vida de quem gesta; e quando o feto tem anencefalia.

Na política de drogas, o documento se posiciona contra a flexibilização do consumo, do porte e do plantio de maconha para fins recreativos. Também afirma que o uso medicinal de substâncias como o canabidiol não deve servir de justificativa para uma liberação mais ampla.

“O uso medicinal de substâncias como o canabidiol (CBD) não pode ser usado como pretexto para a liberação irresponsável das drogas. Mudanças na política de drogas devem ser decididas pelo Congresso Nacional, e não impostas pelo Poder Judiciário', diz o documento.

A carta prevê ainda a defesa da liberdade de crença e de culto e o combate à intolerância religiosa. No período eleitoral, a chapa afirma que respeitará a autonomia das igrejas e dos fiéis, sem troca de favores ou coação religiosa.

Proibição das bets

A carta defende uma legislação que proíba essas bets. A chapa promete ainda bloquear sites ilegais, restringir publicidade e patrocínios, inclusive os feitos por influenciadores, e criar políticas de prevenção e tratamento do superendividamento.

"No Executivo, atuaremos de forma célere para bloquear plataformas ilegais, restringir severamente publicidades e patrocínios (inclusive de influenciadores), responsabilizar operadores e criar políticas de prevenção e tratamento ao superendividamento", afirma a chapa no documento.

O documento também prevê ações contra o uso das apostas para lavagem de dinheiro, manipulação de resultados esportivos e financiamento do crime organizado, mas não detalha quais serão as medidas a serem aplicadas.

Críticas ao Supremo

No último ponto, dedicado às liberdades civis, a chapa promete uma postura “firme e institucional' diante do que classifica como “arbítrios da Suprema Corte e de qualquer instituição do sistema de Justiça'.

O documento afirma que as liberdades de imprensa, expressão, pensamento, associação e partidária terão “atenção especial' em um eventual governo.