Relação de troca melhora para produtores com queda dos fertilizantes e alta das commodities

Ureia e sulfato de amônio recuaram em agosto, enquanto valorização de culturas elevou o poder de compra do produtor.

BATANEWS/OPR


Foto: Divulgação

A combinação entre a redução dos preços de fertilizantes e a valorização de diferentes commodities agrícolas melhorou, em agosto, a relação de troca para os produtores brasileiros. O movimento foi mais expressivo entre os nitrogenados, enquanto os fertilizantes fosfatados continuaram apresentando condições menos favoráveis, especialmente no caso do MAP. Os dados são da Consultoria Agro Itaú BBA, no relatório Radar Agro de agosto de 2026.

Entre os nitrogenados, a ureia passou de US$ 482,50 por tonelada no início do mês para US$ 422 por tonelada no final de agosto. O sulfato de amônio também registrou redução, de US$ 262,50 para US$ 220 por tonelada. A queda dos preços, combinada à recuperação da cotação do milho, melhorou a quantidade de produto agrícola necessária para a aquisição dos fertilizantes e favoreceu a comercialização para a segunda safra.

O movimento também apareceu nas importações. Em julho, o Brasil recebeu 601 mil toneladas de ureia, maior volume mensal registrado em 2026 até aquele momento. No acumulado de janeiro a julho, entretanto, foram importadas 2,3 milhões de toneladas, volume 24,7% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

A expectativa da Consultoria Agro Itaú BBA é de aumento das importações nos próximos meses, acompanhando a demanda das culturas de segunda safra, que apresentam elevada necessidade de nitrogênio. Apesar de a janela de aquisição se estender até o fim do ano, o relatório destaca a permanência dos riscos geopolíticos como um fator de atenção para o mercado.

Fosfatados permanecem pressionados

O cenário é diferente entre os fertilizantes fosfatados. O MAP estava cotado em US$ 855 por tonelada em agosto, enquanto o SSP alcançou US$ 245 por tonelada. Apesar do recuo recente dos preços, a relação de troca continua desfavorável, sobretudo para o MAP.

De acordo com o Itaú BBA, a redução dos preços dos fosfatados esteve mais relacionada ao enfraquecimento da demanda brasileira do que a uma melhora estrutural da oferta. Na comparação por unidade de P₂O₅, o SSP apresenta maior competitividade, enquanto o MAP permanece com custo mais elevado.

Os custos das matérias-primas também limitam uma queda mais acentuada dos fosfatados. Entre esses insumos está o enxofre, cuja importação brasileira somou 29 mil toneladas em julho, o menor volume dos últimos 36 meses. No mesmo mês, o preço médio chegou a US$ 1.067 por tonelada FOB, mais que o dobro do registrado em janeiro.

KCl mantém cenário mais favorável

No mercado de potássio, o KCl apresentou comportamento mais estável. O fertilizante foi negociado em torno de US$ 385 por tonelada CFR Brasil em agosto e manteve uma relação de troca mais favorável ao produtor em comparação com outros nutrientes.

As importações também indicaram um quadro de oferta mais equilibrado. De janeiro a julho, o volume importado de KCl aumentou 2,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Commodities recuperam capacidade de compra

A valorização de algumas commodities contribuiu para melhorar as relações de troca ao longo de agosto. Na soja, a recuperação das cotações elevou o poder de compra do produtor diante dos fertilizantes. Ainda assim, o mercado futuro para março de 2027 permaneceu abaixo dos níveis observados no mercado disponível, enquanto o MAP continuou entre os fertilizantes de pior relação de troca para a cultura.

No milho, a alta dos preços no mercado brasileiro, somada à redução da cotação da ureia, proporcionou melhora parcial nas relações de troca. O MAP, porém, continuou sendo um dos principais fatores de pressão sobre os custos.

O algodão também apresentou melhora. Segundo o relatório, a redução dos estoques globais e o ritmo das exportações brasileiras contribuíram para a recuperação dos preços e favoreceram as relações de troca da cultura com ureia, KCl e MAP. No caso do fosfatado, a relação chegou a um nível mais favorável do que o observado em 2025.

O café permaneceu entre as culturas com melhores relações de troca frente aos fertilizantes. Os preços voltaram a reagir durante a colheita, influenciados por preocupações com a disponibilidade imediata e a qualidade dos grãos, mesmo diante da expectativa de uma safra recorde.

No açúcar, a recuperação das cotações também melhorou parcialmente a relação de troca com ureia e KCl. Entre os fatores que sustentaram a alta estiveram a menor produção no Centro-Sul e a cota de importação estabelecida pela Índia, além de fatores macroeconômicos e da mudança da posição líquida dos fundos no mercado.

O trigo teve melhora principalmente nas relações com ureia e KCl, em um cenário influenciado pelas tensões no Mar Negro e pela expectativa de menor oferta mundial. Com o MAP, entretanto, a relação permaneceu desfavorável.

No arroz, a valorização recente da commodity também favoreceu o produtor. A redução dos excedentes domésticos, a queda dos estoques e a perspectiva de menor produção na safra 2026/27 contribuíram para um ambiente mais positivo, embora o MAP continue apresentando custo elevado em relação ao produto agrícola.

Boi gordo mantém relação favorável

A recuperação do preço da arroba do boi gordo, aliada à redução dos preços dos nitrogenados, também melhorou a relação de troca da pecuária com os fertilizantes. Mesmo com o MAP permanecendo caro em termos históricos, a valorização do boi manteve a relação entre a arroba e o fertilizante dentro da média dos últimos cinco anos.

Os dados da Consultoria Agro Itaú BBA mostram, portanto, um cenário de melhora do poder de compra do produtor em agosto, mas com diferenças importantes entre os nutrientes. A redução dos preços da ureia e a valorização das commodities favoreceram as relações de troca, enquanto o MAP e os custos de matérias-primas, como o enxofre, continuam limitando uma redução mais ampla dos custos com fertilizantes.