'Estava esperando morrer', conta entregador feito de refém em assalto

Jovem de 20 anos foi rendido por dupla armada durante entrega na Vila Jacy

BATANEWS/CGNEWS


Foto: Divulgação

“Mata ele logo. Só fechei o olho e esperei o tiro', relembra o entregador, de 20 anos, feito refém por dois assaltantes enquanto realizava uma entrega de mercadorias na Vila Jacy, em Campo Grande. O crime aconteceu nesta terça-feira (18) e foi registrado por uma câmera de segurança. O nome e o rosto do jovem serão preservados por segurança.

O entregador conta que, ao chegar à rua onde foi abordado, chegou a ver a dupla e desconfiou dos dois. O assalto foi anunciado durante a terceira entrega, depois que ele desligou o carro, desceu do Gol e caminhou até o porta-malas.

“Ele me abraçou e ficou com a pistola no meu peito. Na hora, ele engatilhou a pistola e foi conversar comigo. Falou para dar a chave da casa, ele achou que eu morava lá. Disse que só ia realizar a entrega e ele disse: ‘E a chave do carro?’', conta.

Em seguida, os assaltantes mandaram o jovem deitar no chão e entregaram a ele a ordem de passar o celular. Foi quando um dos criminosos fez uma ameaça.

“O outro piloto da moto falou: ‘Vai, mata ele logo’. Aí ele colocou a arma na minha nuca. Senti o ferro na minha nuca. Quando ele disse assim, eu só fechei o olho e fiquei esperando o tiro. Estava esperando morrer', relata.

O entregador conta que, no início, chegou a pensar que poderia estar participando de uma pegadinha. “Eu até dei uma risada de canto de boca achando que era brincadeira. Aí, quando eu vi esses caras lá, na minha cabeça eu falei: ‘Certeza que esses caras estão na malandragem’.'

Depois que os criminosos fugiram com o carro, o jovem procurou algumas pessoas que estavam na rua e pediu água para tentar se acalmar. Em seguida, entrou em contato com as autoridades e registrou boletim de ocorrência. Até esta terça-feira (18), os suspeitos ainda eram procurados.

O entregador trabalha com entregas há mais de dois anos, mas havia apenas uma semana que começara a usar o carro. Segundo ele, as mercadorias são asseguradas pela empresa para a qual presta serviço.

“Meu psicológico está bem abalado, por enquanto não vou conseguir trabalhar. Vou ficar fazendo os meus corres de moto, mas a minha renda fixa estava vindo das entregas.'

O jovem também conta que ainda estava pagando as prestações do Gol, seu primeiro carro. Para ele, o medo provocado pelo assalto mudou a forma como enxerga o trabalho nas ruas.

“Eu acho uma injustiça você sair e ficar com medo de ser assaltado, porque a pessoa que sai, ela está saindo para trabalhar, não para ser assaltada. Então, a cautela sempre tem que ter.'

Além do veículo, os assaltantes levaram 57 pacotes que estavam na rota de entrega do jovem. “É um risco enorme que você corre, porque primeiro que você sai de casa sem saber quando você vai ganhar e, segundo, você sai de casa sem saber se vai voltar também. Então, quem está na rua trabalhando está por um risco muito grande.'