Alvo de operação por fraude, médico legista preso é afastado das funções

Robson Roosevelt Ferreira Aguilar é servidor da Sejusp desde 2021 e recebe mais de R$ 11 mil de remuneração

BATANEWS/CGNEWS


Arma, municões e dinheiro apreendidos na operação desta quinta-feira (Foto: Divulgação)

O médico-legista, servidor do Governo de Mato Grosso do Sul, foi preso nesta quinta-feira (13) durante a segunda fase da Operação Auditus, deflagrada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Ele é proprietário de uma clínica médica em Jardim, que foi alvo da operação que investiga supostas fraudes em serviços contratados pela Prefeitura de Nioaque.

A investigação apura um esquema de direcionamento de contratações, pagamento por serviços médicos não realizados e desvio de recursos públicos. Segundo o Gecoc, 83% dos exames e consultas pagos pela Prefeitura de Nioaque entre 2022 e 2025 teriam sido simulados mediante falsificação de documentos.

O servidor é vinculado à Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) como perito oficial forense. Conforme dados funcionais do Governo de Mato Grosso do Sul, trata-se de servidor estatutário, com situação funcional ativa, admitido em 19 de fevereiro de 2021, com carga horária de 40 horas semanais. A remuneração informada é de R$ 11.137,93.

A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul informou que o médico foi afastado de suas funções em razão dos fatos que são objeto da Operação Auditus. A instituição ressaltou que a prisão não tem relação com as atividades desenvolvidas pelo servidor no âmbito da Polícia Científica.

A Corregedoria da Polícia Civil, à qual o médico está vinculado, instaurou um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) para apurar, no âmbito administrativo, os fatos relacionados ao servidor e acompanha o desdobramento das medidas adotadas pelo Gecoc.

Clínica e investigação — O servidor também é proprietário de uma policlínica localizada no Centro de Jardim. A unidade, anteriormente denominada Prontomed, foi um dos locais visitados durante a operação desta quinta-feira.

A clínica aparece no contexto da investigação que apura a suposta realização de exames e consultas que teriam sido registrados e pagos pelo poder público sem terem sido efetivamente realizados.

Conforme o Gecoc, o grupo investigado atuava com agentes públicos e privados e utilizava a falsificação de documentos para simular a prestação de serviços médicos. O prejuízo estimado aos cofres públicos de Nioaque é de aproximadamente R$ 4 milhões.

A operação também aponta que o gasto da Prefeitura de Nioaque com serviços médicos aumentou 1.713% entre 2022 e 2025, período em que teriam ocorrido as contratações fraudulentas.

A investigação ainda indica que o grupo buscava expandir o esquema para outros municípios de Mato Grosso do Sul.

Ex-candidato — O servidor também teve atuação na política municipal. Ele foi candidato a vice-prefeito de Antônio João nas eleições de 2012 pelo PDT. Naquele pleito, concorreu ao cargo de vice-prefeito do município em uma chapa registrada pelo partido.

Operação — A segunda fase da Operação Auditus cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 12 ordens de busca e apreensão em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.

A primeira fase da operação foi deflagrada em 1º de julho de 2025. A partir da análise do material apreendido naquela ocasião, o Gecoc identificou novos elementos sobre o suposto esquema.

O nome “Auditus” vem do latim e significa “audição”. Segundo o Ministério Público, a denominação faz referência ao fato de que um dos mecanismos inicialmente utilizados para o suposto desvio de dinheiro público era a simulação de exames auditivos. Posteriormente, a prática teria sido ampliada para outros exames e serviços médicos.

Além do Gecoc, a ofensiva desta quinta-feira conta com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque.

A Polícia Científica afirmou que não compactua com qualquer forma de desvio de conduta, irregularidade ou transgressão disciplinar e que eventuais atos individuais que contrariem a legislação, os princípios da administração pública e os deveres funcionais serão apurados com rigor.

A Prefeitura de Jardim não foi alvo da operação. A reportagem não conseguiu contato com a defesa do médico preso. O espaço segue aberto.