Agricultura
Safra de milho em MS mantém alto potencial, mas clima e colheita exigem atenção
Produção estimada em 11,1 milhões de toneladas e alerta para riscos de vendavais e do El Niño
BATANEWS/REDAçãO
A segunda safra de milho 2025/2026 em Mato Grosso do Sul segue com perspectivas positivas de produção, apesar dos desafios impostos pelas condições climáticas. Levantamento do Projeto SIGA-MS, da Aprosoja/MS e do Sistema Famasul, mostra que 71% das lavouras do Estado estão em boas condições, enquanto a estimativa de produção foi mantida em 11,139 milhões de toneladas, resultado esperado para uma área cultivada de 2,206 milhões de hectares e produtividade média de 84,2 sacas por hectare.
Os dados fazem parte do boletim semanal referente à quarta semana de julho, elaborado a partir de visitas técnicas realizadas em todas as regiões produtoras do Estado. O monitoramento considera informações de produtores, sindicatos rurais, empresas de assistência técnica e empresas privadas sobre desenvolvimento das lavouras, condições climáticas, operações agrícolas e indicadores econômicos.
De acordo com o levantamento, além dos 71% classificados como bons, outros 17,9% das áreas apresentam condição regular e 11,1% são consideradas ruins. As avaliações levam em conta fatores como ocorrência de pragas, doenças, plantas daninhas, falhas no estande de plantas, desenvolvimento vegetativo e potencial produtivo das lavouras.
Entre as regiões monitoradas, o Nordeste apresenta o melhor desempenho, com 96,7% das lavouras classificadas como boas. Em seguida aparecem o Norte, com 89,3%, e o Oeste, com 78,1%. Já a região Centro concentra a situação mais delicada, com apenas 57,9% das áreas em boas condições e o maior percentual de lavouras ruins do Estado, chegando a 23,8%. A região Sul-Fronteira também registra índice elevado de áreas comprometidas, com 17,7% classificadas como ruins.
Mesmo nas regiões com predominância de lavouras em boas condições, o boletim alerta para o risco de perdas causadas por vendavais ao longo do restante do ciclo produtivo. Em algumas localidades, também há preocupação com períodos de estiagem.
Outro destaque do levantamento é o avanço da colheita. Até 24 de julho, aproximadamente 24% da área cultivada havia sido colhida no Estado, o equivalente a cerca de 530 mil hectares. O ritmo, entretanto, está abaixo do registrado no mesmo período da safra passada, com atraso de 7,6 pontos percentuais. A região Centro lidera os trabalhos, com 28% da área colhida, seguida pela região Sul, com 26%, enquanto a região Norte apresenta apenas 4,2%.
Segundo o boletim, chuvas irregulares registradas durante a semana, com volumes entre 5 e 80 milímetros conforme o município, ajudaram na reposição da umidade do solo, mas também retardaram a colheita em áreas mais úmidas. A expectativa é de aceleração dos trabalhos nos próximos dias, desde que haja estabilidade nas condições meteorológicas.
A Aprosoja/MS também chama atenção para o comportamento climático esperado nos próximos meses. O boletim aponta possibilidade de atuação de um evento de El Niño de forte a muito forte, cenário que pode favorecer chuvas irregulares, ventos intensos e episódios localizados de granizo. Diante disso, a recomendação é que os produtores realizem a colheita assim que as lavouras atingirem o ponto ideal de maturação, reduzindo o risco de perdas na produtividade e na qualidade dos grãos.
Apesar dos riscos climáticos, o levantamento destaca que os resultados obtidos nas áreas já colhidas mantêm o otimismo para a safra. As produtividades verificadas durante a semana variaram entre 65 e 174 sacas por hectare, indicando elevado potencial produtivo e sustentando a expectativa de produção estadual acima de 11 milhões de toneladas.
O estudo também observa uma mudança no perfil das áreas cultivadas no Estado. Nesta safra, o milho ocupa aproximadamente 46% da área destinada à soja, percentual bem inferior aos cerca de 75% registrados em anos anteriores. Conforme o boletim, a redução está relacionada às limitações da janela de plantio definida pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), levando produtores a destinarem parte das áreas para culturas alternativas, como sorgo, milheto e pastagens, especialmente onde o risco climático é maior.
No mercado interno, o preço médio da saca de milho em Mato Grosso do Sul registrou leve alta de 0,17% entre os dias 20 e 27 de julho, sendo negociado a R$ 49,00. Já o indicador Cepea/Esalq fechou o período em R$ 65,47 por saca, com valorização de 0,38% na semana e de 2,78% em relação ao mesmo período do ano passado.



