Nova pílula para colesterol é aprovada nos EUA; veja o que muda e quando pode chegar ao Brasil


Paciente tem sangue coletado em uma unidade de saúde em Miami (EUA) - Eva Marie Uzcategui - 8.jan.26/NYT

Pacientes com colesterol alto poderão contar com uma nova opção de tratamento nos Estados Unidos. A agência reguladora americana (FDA) aprovou a enlicitida, um medicamento oral que atua sobre a proteína PCSK9, mecanismo já utilizado por remédios injetáveis indicados para pacientes de alto risco cardiovascular.

O medicamento ainda não está disponível no Brasil. A MSD informou que pretende solicitar o registro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas o pedido ainda não foi analisado.

Como o medicamento funciona

A enlicitida reduz os níveis do colesterol LDL, conhecido como "colesterol ruim", ao bloquear a proteína PCSK9, responsável por dificultar a remoção do colesterol da corrente sanguínea.

Até agora, os medicamentos dessa classe eram administrados apenas por injeção.

Para quem é indicado

Especialistas afirmam que o tratamento não substitui as estatinas, que continuam sendo a primeira escolha para reduzir o colesterol devido ao histórico de eficácia, segurança e baixo custo.

A nova medicação tende a ser indicada principalmente para:

  • pacientes que não atingem as metas de LDL apenas com estatinas;
  • pessoas que não toleram estatinas;
  • indivíduos com risco cardiovascular muito elevado, como quem já sofreu infarto ou AVC;
  • pacientes com hipercolesterolemia familiar.

O que mostram os estudos

Ensaios clínicos apontam que os medicamentos da classe dos inibidores de PCSK9 conseguem reduzir o LDL entre 60% e 70%, geralmente quando usados em conjunto com estatinas.

Estudos anteriores também demonstraram redução do risco de infarto, AVC e morte cardiovascular em pacientes de alto risco tratados com medicamentos dessa classe.

Situação no Brasil

Segundo o cardiologista Márcio Miname, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o principal avanço da enlicitida é oferecer uma alternativa via oral, já que os medicamentos anti-PCSK9 disponíveis atualmente no país são injetáveis.

Hoje, o Brasil dispõe de:

  • evolocumabe;
  • alirocumabe;
  • inclisirana.

Nenhum desses medicamentos é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O acesso ocorre principalmente pela rede privada, e o custo ainda é considerado elevado.

Estatinas continuam sendo a base do tratamento

Especialistas reforçam que mudanças no estilo de vida — alimentação equilibrada, atividade física e controle do peso — continuam sendo fundamentais para reduzir o colesterol.

Quando essas medidas não são suficientes, as estatinas permanecem como o tratamento inicial recomendado. Outros medicamentos são acrescentados apenas quando as metas de colesterol não são alcançadas ou há contraindicação ao uso das estatinas.

O que você precisa saber

  • A enlicitida foi aprovada pela FDA, mas ainda não possui registro na Anvisa.
  • É o primeiro inibidor de PCSK9 em comprimido aprovado nos Estados Unidos.
  • Não substitui as estatinas, que seguem como tratamento de primeira linha.
  • Deve beneficiar principalmente pacientes de alto risco cardiovascular ou que não conseguem controlar o colesterol com os medicamentos já disponíveis.
  • No Brasil, os tratamentos anti-PCSK9 existentes são apenas injetáveis e não fazem parte da lista de medicamentos do SUS.