Entenda as idas e vindas na tentativa de levar Tereza Cristina à vice de Flávio Bolsonaro

Partido da senadora, o PP, anunciou nesta sexta-feira (31) que vai ficar neutro nas eleições nacionais e que Tereza Cristina está ciente da decisão, o que, na prática, inviabiliza que ela componha chapa com Flávio.

BATANEWS/G1


Senadora Tereza Cristina (PP-MS). — Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O PP anunciou neutralidade nesta sexta-feira (31) nas eleições presidenciais. A decisão interdita os planos de Flávio Bolsonaro de ter Tereza Cristina como vice.

Comando nacional do PP resiste a acordo com Flávio porque quer liberar diretórios estaduais para fecharem alianças de acordo com o cenário eleitoral local.

Flávio Bolsonaro afirmou que Tereza Cristina havia aceitado o convite e que dependia do partido. Após negativa do PP, o presidenciável afirmou: "Eu sou brasileiro, não desisto nunca.".

As articulações para que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) ocupe a vaga de vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) se dão em um cenário marcado por resistências partidárias e divisões internas na direita. Nesta sexta-feira (31), após uma negativa pública do PP, Flávio disse respeitar a resposta, mas afirmou: "Sou brasileiro, não desisto nunca."

Flávio Bolsonaro chegou a se referir à ex-ministra como o "sonho de consumo" dele para a composição da chapa. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, vem sendo um dos principais articuladores para levar Tereza Cristina para o lado de Flávio. Entre empresários, especialmente aqueles ligados ao agronegócio, há pressão pelo ingresso da senadora na campanha presidencial.

O PP, no entanto, comandado por Ciro Nogueira, resiste à aliança com o PL de Flávio Bolsonaro e deu uma resposta formal sobre as negociações nesta sexta-feira (31) ao emitir nota em que diz que se manterá neutro nas eleições presidenciais.

Parte de uma federação com o União Brasil, o PP depende da concordância do União para tomar a decisão de aderir à candidatura de Flávio. Nos dois partidos, um empecilho é a dificuldade de conciliar uma eventual disposição do comando nacional com os interesses dos diretórios estaduais.

Os dirigentes nacionais da federação indicaram que preferem liberar os estados para que eles fechem alianças de acordo com os contextos locais.

Do lado do PP pesa ainda a mágoa de Ciro Nogueira com Flávio Bolsonaro. Ciro é alvo do caso Master e, desde que o aliado passou a ser alvejado pelas investigações da Polícia Federal, Flávio demarcou distância do presidente do PP. Ciro foi ministro de Jair Bolsonaro (PL) e chegou a ser cogitado por Flávio como possível vice.

O presidenciável também é citado no caso Master. Flávio foi flagrado pedindo dinheiro ao ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Já Ciro é suspeito de ter recebido recursos e presentes de Vorcaro para facilitar os negócios do Master por meio de sua atuação como senador.

O que pensa Tereza Cristina

Senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina reúne requisitos que poderiam fortalecer a campanha de Flávio. Tem boa entrada entre empresários, experiência no Executivo e é mulher. Esse último item conta porque, segundo pesquisas de intenção de voto, Flávio está em desvantagem entre o eleitorado feminino.

Uma aliança com o PP adicionaria ainda à campanha de Flávio Bolsonaro dinheiro do fundo eleitoral e tempo de TV.

Desde que surgiram as primeiras notícias sobre a possibilidade de Tereza na vice de Flávio, a senadora deixou claro que a prioridade dela era seguir o mandato no Congresso e buscar a presidência do Senado em 2027.

No dia 27 de julho, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Tereza Cristina teria negado o convite após uma conversa entre os dois. No dia 30, Flávio reuniu-se com Tereza.

Nesta sexta (31), o presidenciável disse que a senadora teria aceitado o convite, mas que dependia da decisão do PP. Minutos depois, o PP emitiu uma nota em que disse que ficaria neutro nas eleições presidenciais.