Sobreviventes de terremoto no Japão enfrentam sede e calor

Cerca de 58 mil domicílios ainda estão sem água e energia elétrica

TIM KELLY, TOM BATEMAN E SATOSHI SUGIYAMA*


© Reuters/Issei Kato/Proibida reprodução

O terremoto de magnitude 7,1 que atingiu o Sul do Japão derrubou casas e abriu fendas nas ruas da pequena cidade de Yatsushiro, mas crescia a preocupação com ameaças invisíveis decorrentes da falta de água e energia elétrica em meio ao calor intenso do verão local.

Muitos dos cerca de 58 mil domicílios da cidade portuária ainda estavam sem água encanada ou energia elétrica nesta quinta-feira (30), dois dias após o terremoto ter atingido a província de Kumamoto, matando pelo menos 34 pessoas.

Akio Matsushita, uma autoridade local que ajuda a coordenar os esforços de socorro, disse não ter ideia se levaria dias, semanas ou meses para reparar as tubulações de água gravemente danificadas.

“Devido ao calor do verão, a falta de água é especialmente difícil', disse ele na prefeitura local.

Com os banheiros da prefeitura fora de serviço, as autoridades instalaram banheiros de emergência sobre bueiros de esgoto do lado de fora do prédio, sob temperaturas de cerca de 35 graus Celsius (°C) e umidade sufocante.

“Será necessário um trabalho meticuloso, e não há, no momento, um cronograma definido', acrescentou Matsushita.

Um representante da Kyushu Electric Power disse que a concessionária tem como meta restaurar a energia até a noite de sexta-feira (31).

O governo da província de Kumamoto informou que a maioria dos mortos pelo terremoto estava na fábrica de papel da Nippon Paper Industries, que sofreu graves danos estruturais, e no shopping center da Aeon, onde ocorreu uma possível explosão de gás.

Outras nove mortes na região estavam sendo investigadas para determinar se estavam relacionadas ao terremoto, informou o governo.

Uma das vítimas do terremoto foi um operário vietnamita recém-casado, que deixou sua esposa e um bebê de sete meses, segundo o site de notícias vietnamita Kenh14.

Em entrevista ao site de notícias, Vu Thi Thuy relembrou sua última conversa com o marido na noite anterior ao tremor.

“Sempre que fazíamos uma videochamada, meu filho nunca queria olhar para o pai, mas naquela noite, por algum motivo, ele ficou grudado na tela, querendo estar com o pai', disse ela.

“Já passava das 23h quando finalmente disse a ele: ‘Vamos desligar para que o papai possa dormir um pouco. Ele tem que trabalhar amanhã’. Nunca imaginei que aquela seria nossa última ligação.'

*Reportagem adicional de Mariko Katsumura e Kantaro Komiya, em Tóquio