Direita é direita. Esquerda é esquerda. E isso dificilmente vai mudar

OPINIãO | NEY OLEGáRIO


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Passaram-se quase quatro anos desde a última eleição presidencial e, na prática, pouca coisa mudou no comportamento do eleitor brasileiro. Quem é de direita continua sendo de direita. Quem é de esquerda continua sendo de esquerda. Essa é uma realidade que muitos insistem em ignorar, mas que as urnas têm demonstrado eleição após eleição.

É natural que, no primeiro turno, existam divergências, disputas internas e até rachas dentro de um mesmo campo político. Tanto a direita quanto a esquerda podem dividir votos entre diferentes candidatos. Entretanto, se houver segundo turno, a tendência histórica é que esses grupos se reorganizem e caminhem unidos em torno de um único nome.

Diante desse cenário, quem deseja vencer uma eleição precisa compreender onde realmente estão os votos que podem fazer a diferença. O desafio não é convencer o eleitor ideologicamente consolidado a mudar de lado, mas conquistar aqueles que votam em branco, anulam o voto ou ainda permanecem indecisos, um grupo cada vez menor.

Também é preciso abandonar a ideia de que o eleitor brasileiro é desinformado. Muitos políticos ainda acreditam que basta atacar Luiz Inácio Lula da Silva ou Jair Bolsonaro para provocar uma mudança de opinião no eleitorado. Esse pensamento está distante da realidade.

A grande maioria dos brasileiros já formou sua visão política ao longo dos anos. Acompanha os acontecimentos, avalia governos, observa o trabalho de deputados, senadores, governadores, prefeitos e vereadores, compara resultados e tira suas próprias conclusões. Pode até mudar de candidato dentro do mesmo campo ideológico, mas dificilmente muda de lado por causa de ataques ou discursos inflamados.

As campanhas precisam entender que insistir em críticas pessoais ou em ataques constantes ao adversário apenas aumenta a polarização, alimenta rivalidades e fortalece as inimizades entre brasileiros. Esse tipo de estratégia raramente conquista novos eleitores e, muitas vezes, apenas reforça as convicções de quem já está decidido.

O Brasil precisa de um debate político mais qualificado. A população espera propostas, soluções para os problemas do dia a dia e projetos que melhorem a vida das pessoas. A política deve ser um espaço de construção, e não apenas de confronto permanente.

No fim das contas, direita continuará sendo direita. Esquerda continuará sendo esquerda. As eleições serão decididas menos pela tentativa de converter o adversário e mais pela capacidade de convencer os poucos eleitores que ainda estão dispostos a ouvir propostas e avaliar quem apresenta o melhor caminho para o futuro.

Ney Olegário
Diretor do Bata News