Policial
Soldado e ex-PM presos com haxixe acreditavam transportar 'apenas celulares'
Max Deive e William de Jesus disseram em depoimento que haviam combinado de levar 200 aparelhos para Dourados
BATANEWS/CGNEWS
Em depoimento prestado à Polícia Civil, o estudante de medicina e ex-policial militar William de Jesus Costa, de 30 anos, e o policial militar Max Deive de Lima Junges, de 29 anos, sustentaram a versão de que não sabiam da presença de drogas no veículo apreendido durante uma fiscalização do Exército na BR-463, nas proximidades do Posto Fiscal Pacuri, em Ponta Porã, a 313 quilômetros de Campo Grande.
Os dois foram pegos em flagrante durante a operação Jaguaretê e com eles ainda foram encontrados R$ 30 mil divididos em 600 notas de R$ 50. Segundo os relatos apresentados à autoridade policial, a dupla acreditava estar realizando apenas o transporte de celulares contrabandeados de Ponta Porã para Dourados.
De acordo com o depoimento de William, a oportunidade de transporte surgiu após contato em festas universitárias com um ex-PM identificado apenas como 'Rafael', também estudante de medicina. Ele contou que aceitou a proposta de efetuar o frete de aparelhos de telefone celular até Dourados, pelo valor ajustado de R$ 100,00 por aparelho por estar endividado.
Ele então convidou o soldado da corporação Max Deive, que concordou em participar do transporte do contrabando. A estimativa repassada entre eles era de aproximadamente 200 aparelhos, embora a quantidade exata e o montante final não tivessem sido previamente formalizados.
'A combinação era seguir em direção a Dourados até a Churrascaria Querência, onde deixariam o veículo no estacionamento com a chave no interior e entrariam para tomar café da manhã; após cerca de meia hora, retornariam para Ponta Porã', descreveu William.
Max confirmou a versão durante o depoimento ao delegado Lucas Calixto Sampaio, na 1ª Delegacia de Ponta Porã. Assim como William, ele negou ter tentado subornar os militares do Exército e ter ofendido os agentes durante a abordagem.
Segundo a versão do soldado, ele disse que apenas apresentou a identidade funcional quando lhe foi pedido, que as fardas estavam guardadas em uma mochila no banco traseiro do veículo e que William ficou nervoso e acabou discutindo com um dos encarregados da ação, que ficou “exaltado'.
Tanto William quanto Max Deive reiteraram em seus interrogatórios que não sentiram odor estranho no veículo e que assumiram a direção acreditando estarem transportando estritamente aparelhos eletrônicos. O caso e as declarações prestadas seguem sob investigação da Polícia Civil.
Conforme apurou o Campo Grande News, William tem passagens por crimes militares, violência doméstica, dano também no contexto de violência contra a mulher, ameaça e perseguição. Já Max, tem apenas uma passagem por crime contra a administração militar. Ambos constam como na ativa da Polícia Militar no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul.
Abordagem
Segundo o boletim de ocorrência, por volta das 07h, William relatou ter deixado seu veículo, um Toyota Corolla preto, no bairro Primavera por cerca de 15 minutos. Em seguida, buscou o carro e passou na residência de Max Deive para darem início ao trajeto.
Durante a viagem pela rodovia BR-463, a dupla foi abordada por uma equipe do Exército Brasileiro no Posto Fiscal Pacuri. O veículo chegou a ser liberado após verificação documental, mas os militares solicitaram a parada poucos metros adiante.
Ao ser questionado sobre o conteúdo do compartimento traseiro, William informou acreditar que se tratava de celulares. O porta-malas apresentava um defeito mecânico na trava, o que exigiu esforço para a abertura.
Foi feita a vistoria e no interior do porta-malas foram encontradas mochilas e sacos contendo 194 quilos de haxixe e um envelope com dinheiro em espécie. Ambos foram presos em flagrante por tráfico de drogas e levados para a delegacia da cidade.
Ainda de acordo com o registro policial, os militares que fizeram a abordagem afirmaram que durante toda a ação os dois suspeitos insistiram para que não fossem presos, alegando 'não haver necessidade' e que poderiam resolver a situação ali mesmo no local. 'Sugerindo conversar e se acertar ali mesmo', diz o relato.
Operação
Iniciada no dia 1º de julho, a Operação Jaguaretê é coordenada pelo CMO (Comando Militar do Oeste) em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. A fiscalização acontece na faixa de fronteira para combater ao tráfico de drogas, contrabando, descaminho e crimes ambientais.
Durante a ação são feitos patrulhamento terrestre e fluvial, instalação de postos de bloqueio e controle, fiscalização de pessoas, veículos e embarcações, além de ações de coordenação e compartilhamento de informações entre os órgãos participantes.




