Boi gordo reage e arroba volta a superar R$ 340; o que esperar agora?

Escalas de abate encurtadas, oferta restrita de animais terminados e maior poder de barganha dos pecuaristas voltam a impulsionar o mercado do boi gordo. Consultorias apontam novas altas e não descartam continuidade do movimento nas próximas semanas.

BATANEWS/REDAçãO


Foto: Divulgação

O mercado físico do boi gordo voltou a ganhar força nesta terça-feira (21), consolidando um cenário de valorização da arroba em diversas regiões do país. Depois de um início de julho marcado por oscilações, a combinação entre oferta restrita de animais prontos para abate e dificuldades dos frigoríficos para completar as escalas fez com que novas negociações fossem fechadas acima das referências tradicionais.

Na prática, o mercado voltou a favorecer o pecuarista. Em São Paulo, já há negócios sendo realizados na faixa de R$ 340 por arroba, enquanto diversas consultorias observam que o movimento de recuperação ganhou consistência nos últimos dias. Embora o consumo doméstico ainda siga pressionado e as exportações para a China tenham perdido ritmo por causa do esgotamento das cotas tarifárias, a menor disponibilidade de boi terminado continua predominando na formação dos preços. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp Javalis avançam sobre lavouras, destroem nascentes e ampliam alerta no agro Escalas curtas continuam dando sustentação ao mercado

Segundo análise da Safras & Mercado, as indústrias seguem encontrando dificuldades para preencher as escalas de abate, situação que mantém o viés positivo para a arroba no curto prazo.

O analista Fernando Henrique Iglesias destaca que a disponibilidade de animais terminados permanece limitada durante o mês de julho, favorecendo novas negociações acima das referências médias.

Ao mesmo tempo, Iglesias pondera que existem fatores que limitam um avanço mais intenso dos preços. Entre eles estão: desaceleração do ritmo diário das exportações; esgotamento virtual das cotas de exportação destinadas à China; consumo doméstico ainda enfraquecido pelo elevado endividamento das famílias brasileiras.

Mesmo assim, a restrição na oferta continua sendo o fator dominante neste momento. Agrifatto já trabalha com boi gordo de R$ 340/@ em São Paulo

Os números da Agrifatto mostram um mercado ainda mais firme.

A consultoria registrou valorização em 7 das 17 regiões monitoradas diariamente — São Paulo, Acre, Maranhão, Pará, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins — enquanto as demais praças permaneceram estáveis, reforçando a percepção de um mercado sustentado.

Outro destaque é que a consultoria já consolidou em sua tabela de preços o valor de R$ 340/@ para o boi gordo comum em São Paulo, exatamente o mesmo valor praticado para o chamado “boi-China”, que neste momento vem sendo negociado praticamente sem prêmio adicional.

Segundo a Agrifatto, o movimento de queda observado no início de julho perdeu força na semana passada, abrindo espaço para reajustes positivos e maior equilíbrio entre oferta e demanda. Scot também identifica negócios a R$ 340/@

A Scot Consultoria adota metodologia diferente na formação das referências de mercado.

Conforme levantamento da empresa, já existem negociações pontuais a R$ 340/@ no interior paulista, embora o volume ainda não seja suficiente para transformar esse valor em referência oficial da praça.

Pelos números da Scot, as referências permanecem em: Boi gordo: R$ 335/@ Vaca gorda: R$ 312/@ Novilha gorda: R$ 325/@

A diferença entre as consultorias reflete justamente o critério utilizado por cada uma para consolidar os preços efetivamente praticados no mercado físico. Mercado futuro também reforça expectativa positiva

Além do mercado físico, os contratos futuros do boi gordo seguem apontando confiança dos investidores.

De acordo com a Agrifatto, o contrato com vencimento em agosto de 2026 encerrou o último pregão cotado a R$ 349,35/@, acumulando valorização de 1,07%, dando sequência ao movimento positivo observado nas últimas sessões.

Esse comportamento normalmente sinaliza expectativa de manutenção da firmeza dos preços no curto prazo, especialmente enquanto a oferta permanecer restrita. Preços médios do boi gordo nas principais praças

Levantamento da Safras & Mercado mostra as seguintes médias nacionais: São Paulo: R$ 341,43/@ Mato Grosso do Sul: R$ 332,16/@ Minas Gerais: R$ 325,59/@ Goiás: R$ 321,25/@ Mato Grosso: R$ 319,46/@ Mercado da carne segue pressionado pelo consumo

Apesar da recuperação da arroba, o mercado atacadista ainda apresenta comportamento mais cauteloso.

A segunda quinzena do mês costuma registrar menor consumo, reduzindo o espaço para reajustes na carne bovina. Além disso, o produto continua enfrentando forte concorrência das proteínas mais acessíveis, principalmente a carne de frango.

No atacado, as referências são: Quarto traseiro: R$ 25,50/kg Quarto dianteiro: R$ 19,00/kg Ponta de agulha: R$ 18,00/kg O que esperar para os próximos dias?

O mercado entra na reta final de julho sustentado por um fator determinante: a escassez de animais terminados. Enquanto as escalas de abate permanecerem curtas, frigoríficos tendem a disputar lotes disponíveis, favorecendo novas altas da arroba.

Por outro lado, o ritmo das exportações — especialmente para a China — e a demanda doméstica continuarão sendo variáveis importantes para medir até onde esse movimento poderá avançar. No momento, o consenso entre Safras & Mercado, Agrifatto e Scot Consultoria é de um mercado mais firme, com o pecuarista recuperando poder de negociação diante da oferta limitada.

*Escrito por Compre Rural Notícias