Saúde
Deixar para se cuidar só na menopausa pode ser tarde e sofrido demais
A ginecologista americana Mary Claire Haver critica o 'status quo' na medicina e propõe uma bússola para navegar nas águas turbulentas da perimenopausa
BATANEWS/VEJA
“Se você nasceu mulher, ninguém lhe ensinou muita coisa a respeito do seu corpo. Há gerações é assim.” É contra essa dinâmica, criada e estimulada por uma medicina tradicionalmente dominada por homens, que se insurgiu a americana Mary Claire Haver, uma das maiores especialistas e ativistas da causa da menopausa hoje.
A ginecologista e obstetra baseada no Texas tem um propósito ao romper com o status quo que foi cultivado dentro e fora dos círculos de jaleco branco. Ela quer empoderar mulheres com conhecimento para que não sofram quando os hormônios começarem a faltar.
Deixar para se cuidar só depois da menopausa pode ser dispendioso em termos físicos, emocionais e sociais. Convém se antecipar, visualizando e preparando o terreno. Em poucas palavras, é preciso descobrir a perimenopausa.
Haver acaba de publicar no Brasil pela editora Intrínseca A Nova Perimenopausa, livro que mergulha no que se sabe hoje sobre a fase que precede o fim da menstruação e da capacidade reprodutiva feminina.
Perimenopausa nada mais é que o período anterior à menopausa em si, que é o marco da cessação na produção de hormônios pelos ovários. Como é fácil intuir, as consequências desse processo – ou seja, da queda hormonal – se iniciam antes desse divisor de águas no corpo da mulher.
A Nova Perimenopausa
A especialista realizou uma pesquisa com a comunidade de americanas que a acompanha e detectou que diversos sintomas relacionados ao climatério – que corresponde à janela de tempo total… antes, durante e após a menopausa – já dão as caras nessa primeira fase de transformação hormonal.
As cinco queixas mais comuns foram:
Só que nem sempre as mulheres sabem pelo que estão passando. “É coisa da sua cabeça”, “É da idade”, “Paciência que passa” são frases que elas cansaram de ouvir. Pior: um estudo recente, também realizado nos Estados Unidos, aponta que mais de um terço daquelas na perimenopausa não reconhecem ou confundem as manifestações típicas dessa fase.
A doutora Haver quer mudar essa realidade. Para ela, uma mulher informada e assistida por bons profissionais pode neutralizar o “caos hormonal”, mantendo a disposição, o humor, a vida sexual…
A perimenopausa compreende um período que vai dos 35 aos 50 anos – varia muito porque cada jornada feminina também é única, como a ginecologista gosta de ressaltar. Mas existem algumas recomendações que podem ser generalizadas, ainda mais quando se tem em mente que nem sempre pacientes terão acesso aos ginecologistas e às orientações baseadas em ciência do jeito e no tempo certos.
Seu livro é, portanto, uma aula sobre esse momento tão singular na vida feminina, um momento que pode alterar o cérebro, os ossos, os músculos, o sono, a libido… Mas que não é uma sentença de derrocada, improdutividade, senilidade.
Com as ferramentas certas, algumas delas fornecidas pelo estilo de vida, outras oferecidas por tratamentos médicos, é possível não só sobreviver à perimenopausa como utilizar essa fase sui generis para metamorfosear hábitos, aspirações e a própria noção de envelhecimento. Porque, agora, graças a obras como essa, as mulheres desta e das próximas gerações poderão conhecer bem melhor seu corpo.




