Política
Lula x Flávio: Tarifaço vira arma eleitoral e deixa um vencedor a curto prazo, avaliam analistas
Em debate no Os Três Poderes, comentaristas de VEJA analisam a escalada retórica entre Brasília e Washington
BATANEWS/VEJA
O aumento da tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos após o anúncio das tarifas americanas sobre produtos brasileiros entrou no debate do programa Os Três Poderes. Durante a atração, os comentaristas analisaram as declarações do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do secretário de Estado americano, Marco Rubio, concluindo que o embate ultrapassou o campo comercial e passou a integrar a disputa política às vésperas das eleições (este texto é um resumo do vídeo acima). Na avaliação dos participantes, a troca de acusações elevou o tom entre os dois governos e acabou incorporando o tarifaço ao debate eleitoral brasileiro, com reflexos tanto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto para o senador Flávio Bolsonaro.
Como o governo reagiu ao tarifaço?
Na abertura do programa, foram exibidas declarações de Alckmin, que classificou as tarifas impostas pelos Estados Unidos como “extremamente injustas e descabidas”. O vice-presidente afirmou que o governo poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica “no momento adequado” e prometeu apoio aos setores afetados pelas medidas americanas.
Lula x Flávio: os eleitores que devem decidir a disputa
Também foi exibido o pronunciamento de Vieira, que respondeu às críticas feitas por Rubio. O chanceler classificou como “inaceitáveis” e “ofensivas” as declarações do integrante do governo americano e afirmou que Washington estaria insatisfeito porque o Brasil não aceitou demandas consideradas excessivas nas negociações comerciais.
A diplomacia perdeu espaço para a política?
Para o editor José Benedito da Silva, o debate sobre o tarifaço deixou de ser essencialmente diplomático e passou a ser conduzido sob a lógica eleitoral. “Virou um tiroteio político isso aí”, resumiu. Segundo ele, embora as negociações comerciais envolvessem empresas americanas interessadas em evitar a imposição das tarifas, o conflito ganhou contornos políticos quando passou para o nível dos governos. José Benedito classificou como “grosseira” a manifestação de Marco Rubio contra Lula, mas também avaliou que a resposta do Itamaraty elevou desnecessariamente o tom. “Esse tipo de assunto deveria ser tratado com um pouco mais de responsabilidade e de uma forma um pouco mais diplomática”, afirmou. Na avaliação do editor, Rubio atua politicamente ao defender interesses ligados ao processo eleitoral brasileiro. “Ele tem um candidato na eleição presidencial no Brasil. Vai fazer o que for possível para ajudar esse candidato”, disse.
Qual o papel de Flávio Bolsonaro nesse episódio?
A editora Laryssa Borges afirmou que a participação de Flávio em encontros realizados nos Estados Unidos sobre o tarifaço acabou reforçando a percepção de que o senador tem proximidade com integrantes do governo americano. Segundo ela, o parlamentar buscou “um salvo-conduto” ao participar das audiências e explorar sua relação com Rubio. A jornalista lembrou ainda que pesquisas recentes apontam que parte do eleitorado atribui responsabilidade ao senador pela crise comercial. “A pesquisa Quaest aponta o Flávio, na percepção do eleitor, como uma das pessoas que foram responsáveis pelo tarifaço”, observou.
Quem ganha politicamente com a crise?
Na avaliação de Laryssa, o presidente Lula aparece, neste momento, como o principal beneficiário político da escalada diplomática. Segundo ela, a agressividade das declarações de Rubio abriu espaço para que o governo brasileiro reforçasse o discurso de defesa da soberania nacional. “Politicamente o Lula ganha nesse momento”, afirmou. Para a editora, o presidente consegue apresentar-se como defensor do setor produtivo brasileiro diante das tarifas impostas pelos EUA, enquanto associa seus adversários à deterioração das relações bilaterais. “Ele consegue posar de moderado porque o post do Rubio foi extremamente agressivo. Ele consegue surfar nessa onda de soberania”, avaliou.
O tarifaço já se transformou em tema eleitoral?
Os comentaristas concordaram que a disputa comercial deixou de ser apenas uma questão econômica. Na avaliação apresentada durante o programa, as declarações de autoridades brasileiras e americanas passaram a integrar diretamente a narrativa eleitoral dos principais grupos políticos, ampliando a polarização às vésperas da campanha. Como resumiu Laryssa Borges: “Tudo ficou extremamente politizado” no ambiente que antecede a disputa presidencial.





