Governo de MS anuncia exoneração de servidores investigados na Operação Gutenberg

BATANEWS/REDAçãO


Foto: Paulo Ribas

O Governo de Mato Grosso do Sul informou que os servidores estaduais investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) durante a Operação Gutenberg serão afastados e/ou exonerados dos cargos.

Em nota oficial, o Executivo Estadual afirmou que mantém ações permanentes de compliance e transparência e que, como procedimento padrão em casos sob investigação, determinou o afastamento ou a exoneração dos servidores envolvidos.

Além disso, o Governo informou que, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e da Controladoria-Geral do Estado (CGE), acompanha as diligências da operação e instaurou auditoria para apurar os procedimentos administrativos relacionados aos fatos investigados.

A Operação Gutenberg foi deflagrada na manhã desta terça-feira (7) e cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso do Sul, além de cidades dos estados de São Paulo e Goiás.

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as investigações apontam para a atuação de uma organização criminosa especializada em crimes contra a administração pública, incluindo fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos.

Segundo as investigações, o grupo utilizava servidores públicos para direcionar processos de compras públicas, principalmente por meio de contratações diretas sem licitação, destinadas à aquisição de livros paradidáticos.

Ainda conforme o MPMS, os valores movimentados pelo esquema ultrapassam R$ 27 milhões. O dinheiro teria sido distribuído entre integrantes da organização, incluindo pessoas físicas, empresas e agentes públicos, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.

As apurações também indicam que o grupo utilizava influência de servidores da área da saúde para condicionar a autorização de exames, cirurgias e vagas hospitalares na rede estadual à aquisição dos livros comercializados pelos investigados.

O Ministério Público afirma ainda que a organização mantinha contratos ativos em diversos municípios sul-mato-grossenses e continuava em funcionamento até o desencadeamento da operação.

A ação contou com apoio operacional de equipes especializadas da Polícia Militar, responsáveis pelo cumprimento dos mandados e suporte às diligências.

O nome Operação Gutenberg faz referência a Johannes Gutenberg, inventor responsável pela popularização da impressão de livros. Segundo o MPMS, a escolha simboliza o contraste entre a finalidade histórica dos livros, voltada à disseminação do conhecimento, e o uso desse material como instrumento para conferir aparência de legalidade ao esquema investigado.