Lula e Abelardo de la Espriella: diplomacia prevê relação pragmática

Brasil avalia que a relação deve seguir construtiva e não dependerá de alinhamento ideológico. Colômbia reforça avanço de forças conservadoras e da extrema-direita na América do Sul.

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Abelardo de la Espriella (à esquerda), candidato eleito para presidente da Colômbia em apuração preliminar, e Donald Trump, presidente dos EUA — Foto: Jaime Saldarriaga/AFP/Evelyn Hockstein/REUTERS

Diplomatas brasileiros preveem uma relação pragmática entre o presidente Lula e Abelardo de la Espriella, oficializado presidente eleito da Colômbia na última quinta-feira (25).

De acordo com o G1, a vitória da direita na Colômbia deixa Lula como um dos poucos líderes de esquerda das principais economias sul-americanas. A maioria da região terá governos de direita.

Diplomatas avaliam que o novo governo colombiano deve aderir ao Escudo das Américas. A coalizão militar contra cartéis é promovida pelos Estados Unidos.

O governo brasileiro pretende manter política de boa vizinhança com a Colômbia. A mudança regional deve dificultar fóruns como Unasul, mas o Mercosul manterá sua importância.

Diplomatas brasileiros apostam em uma relação pragmática entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Abelardo de la Espriella, declarado oficialmente o novo presidente eleito da Colômbia na última quinta-feira (25).

Em uma publicação nas redes sociais, Lula parabenizou o povo colombiano pela eleição, destacou o "processo democrático e soberano" e afirmou que a relação entre Brasil e Colômbia é "fundamental para a superação de desafios comuns".

Horas depois, Espriella respondeu o petista e escreveu que pretende manter uma relação de cooperação com o Brasil.

“A Colômbia, em liberdade e ordem, sob meu mandato, buscará um único objetivo: cumprir a aliança com o povo que, como afirmei durante a campanha, não é de ideologias, mas de extrema coerência, e isso inclui nossos vizinhos do Brasil, liderados por seu presidente, Lula', afirmou.

O governo brasileiro avalia que a relação entre os dois países deve seguir construtiva e não dependerá de alinhamento ideológico.

Para interlocutores da área internacional do governo Lula, a Colômbia, assim como outros países da América do Sul, deve seguir interessada em se aproximar do Brasil principalmente em:

infraestrutura;energia;combate ao crime organizado; e monitoramento, prevenção e mitigação de desastres naturais.

Direita na América do Sul

A vitória do candidato de direita na Colômbia reforça a tendência de avanço de forças conservadoras e da extrema-direita na América do Sul – e consequentemente de aproximação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O candidato derrotado foi o governista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, um político de esquerda. O resultado deixou Lula como um dos poucos líderes de esquerda das principais economias sul-americanas às vésperas da disputa eleitoral de 2026.

Com o resultado das eleições colombianas, a maioria das nações da América do Sul terão governos de direita. Dos 12 países do continente, cinco estão sob governos de esquerda ou centro-esquerda.

Veja o mapa:

Auxiliares do presidente Lula afirmam que a nova configuração política da região vai ampliar a influência dos Estados Unidos e aumentar a pressão sobre Lula no tema do combate ao crime organizado.

Brasil e Colômbia, sob o governo de Gustavo Petro, foram os únicos que não aderiram ao Escudo das Américas, uma coalizão militar contra os cartéis de drogas.

A diplomacia brasileira acredita que, com o novo governo, a Colômbia deve se aliar ao grupo assim que for possível. O Brasil, por sua vez, deve se aproximar mais de países como México, Guiana e Suriname.