Crianças com menos de 5 anos são 53% das vítimas das queimaduras por fogos

Sociedade Brasileira de Pediatria faz alerta em meio a festividades juninas e Copa do Mundo; fogueiras e líquidos quentes também causam acidentes

BATANEWS/VEJA


Recomendação: Crianças não devem participar de brincadeiras que envolvam fogo (J2R/Getty Images)

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) apresenta nesta segunda-feira, 22, um levantamento inédito sobre queimaduras que resultaram em hospitalização de crianças e adolescentes no país e os dados apontaram que 53,8% dos acidentes ocorrem com crianças com menos de 5 anos de idade, demonstrando a importância de pais e cuidadores redobrarem o cuidado durante as festividades juninas e a Copa do Mundo.

Os dados correspondem aos registros de internações no Sistema Único de Saúde (SUS) nos anos de 2024 e 2025, quando a rede pública registrou 13,8 mil hospitalizações, das quais 6.964 foram em 2024 e 6.855, em 2025. A entidade afirma que o número de acidentes pode ser maior, considerando que o balanço contabiliza apenas casos que necessitaram de suporte em hospitais.

As ocorrências envolvem manipulação de fogos de artifício, contato com fogueiras, manuseio de líquidos e alimentos quentes, além de exposição à fumaça e a temperaturas extremas.

“Prevenir continua sendo o melhor remédio. Crianças e adolescentes não devem participar de atividades que envolvam fogo. Nunca se deve permitir que manuseiem rojões, bombinhas ou artefatos semelhantes”, diz Adriana Rocha Brito, presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP. “A maioria dos acidentes pode ser evitada com medidas simples de prevenção e supervisão adequada”, completa.

A população de 5 a 9 anos correspondeu a 20% dos atingidos pelos acidentes. Na sequência, vieram os pacientes de 10 a 14 anos (13%) e de 15 a 19 anos (12%).

Mortes por queimaduras

A análise da SBP incluiu óbitos por queimaduras entre crianças e adolescentes, mas considerou os anos de 2023 e 2024 tabulados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), também do SUS. Por ano, foram registradas mais de 300 mortes.

Brito destaca que os cuidados não devem se concentrar apenas nas festas e fazer parte da rotina, inclusive em casa, para garantir a proteção de crianças e adolescentes.

“Tomadas desprotegidas, panelas e recipientes com líquidos quentes ao alcance das crianças, além do uso inadequado de álcool líquido, são situações que podem provocar lesões graves em poucos segundos. O melhor caminho é adaptar os ambientes para reduzir riscos e manter vigilância constante, especialmente com as crianças menores.”