Oferta curta sustenta o boi gordo e reforça expectativa de preços firmes para a arroba

Pecuaristas mantêm ritmo controlado de vendas, enquanto a indústria opera com escalas enxutas em um cenário de atenção ao consumo interno e às exportações brasileiras de carne bovina, o que sustenta os preços no mercado do boi gordo

BATANEWS/REDAçãO


Foto: Divulgação

O mercado físico do boi gordo voltou a demonstrar sinais de equilíbrio nesta quarta-feira (10), mas com uma dinâmica cada vez mais clara: de um lado, a oferta de animais terminados continua limitada; do outro, os frigoríficos seguem cautelosos e evitam ampliar suas compras, principalmente diante das incertezas relacionadas às exportações para a China.

Embora algumas negociações tenham registrado pressão baixista nas tentativas de compra da indústria, as principais consultorias do setor avaliam que a escassez de oferta continua sendo o principal fator de sustentação das cotações. O resultado é um mercado travado, com poucos negócios e sem espaço para movimentos mais intensos de queda ou alta no curto prazo. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp Senado aprova projeto de renegociação das dívidas rurais e amplia socorro financeiro ao agro

Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, os frigoríficos estão ajustando suas estratégias diante da perspectiva de esgotamento antecipado da cota chinesa de importação de carne bovina, algo que pode ocorrer entre junho e julho. “O cenário leva à necessidade de redução dos abates, além da diminuição ou até eliminação das bonificações pagas aos animais enquadrados no padrão China”, avaliou Iglesias.

“O cenário leva à necessidade de redução dos abates, além da diminuição ou até eliminação das bonificações pagas aos animais enquadrados no padrão China”, avaliou Iglesias.

O especialista ressalta que o movimento já era esperado pelo mercado, uma vez que as exportações brasileiras avançaram em ritmo acelerado ao longo do primeiro semestre, com forte direcionamento ao mercado chinês. Oferta segue enxuta e limita atuação dos frigoríficos

A Agrifatto também identificou estabilidade nas principais praças pecuárias do País e reforçou que a disponibilidade de animais terminados continua restrita.

Segundo a consultoria, as indústrias estão comprando apenas o necessário para manter suas escalas de abate próximas de sete dias. “As indústrias compram apenas o necessário para manter as escalas em torno de sete dias, em um cenário de volume negociado restrito e lotes ofertados de forma controlada”, destacou a Agrifatto.

“As indústrias compram apenas o necessário para manter as escalas em torno de sete dias, em um cenário de volume negociado restrito e lotes ofertados de forma controlada”, destacou a Agrifatto.

A empresa ainda chama atenção para outro fator que começa a ganhar relevância nesta fase do ano: a queda das temperaturas.

Com a chegada do período mais frio, o desenvolvimento das pastagens tende a desacelerar, reduzindo o potencial de ganho de peso dos animais e contribuindo para a manutenção da oferta enxuta de bovinos terminados. Scot Consultoria vê mercado do boi gordo equilibrado

A Scot Consultoria mantém avaliação semelhante.

De acordo com a empresa, a oferta de bovinos terminados segue curta, enquanto a ponta compradora continua atuando de forma lenta e seletiva. “O mercado está equilibrado, com oferta sem folga e menor apetite de compra”, destacou a Scot Consultoria.

“O mercado está equilibrado, com oferta sem folga e menor apetite de compra”, destacou a Scot Consultoria.

Na prática, os frigoríficos evitam alongar suas escalas, enquanto os pecuaristas continuam ofertando os lotes de maneira controlada, o que impede uma pressão mais forte sobre os preços. Como ficaram as cotações da arroba do boi gordo pelo país

Levantamento da Safras & Mercado apontou as seguintes referências médias para a arroba do boi gordo: São Paulo: R$ 353,17/@ Goiás: R$ 338,21/@ Minas Gerais: R$ 330,88/@ Mato Grosso do Sul: R$ 353,07/@ Mato Grosso: R$ 357,30/@

Já a Agrifatto informou: Boi gordo comum: R$ 345/@ Boi-China: R$ 355/@

Pela Scot Consultoria, em São Paulo: Boi gordo comum: R$ 349/@ Boi-China: R$ 355/@ Mercado futuro recua na B3

No mercado futuro, os contratos do boi gordo registraram leve ajuste negativo.

Segundo a Agrifatto, o contrato com vencimento em agosto de 2026 encerrou o pregão cotado a R$ 338/@, acumulando queda diária próxima de 1%.

O movimento reflete a cautela dos investidores diante das incertezas envolvendo a China e os desdobramentos do mercado internacional da carne bovina. China segue no centro das atenções

O mercado continua acompanhando de perto os sinais vindos do principal comprador da carne bovina brasileira.

Além da expectativa de esgotamento da cota de importação chinesa, a Agrifatto relata que o mercado asiático atravessa um período de indefinição.

Segundo a consultoria, operadores locais apontam sinais de estabilização das cotações após semanas de pressão baixista, impulsionados pela recuperação financeira de importadores chineses. Entretanto, os negócios envolvendo fornecedores da América do Sul seguem em ritmo mais lento.

A consultoria também informou que frigoríficos uruguaios relatam paralisação das vendas para a China, enquanto exportadores chilenos descrevem um mercado travado. Carne bovina ganha força no atacado

Se no mercado do boi gordo a cautela prevalece, no atacado a situação foi diferente.

Os preços da carne bovina apresentaram valorização ao longo do dia, impulsionados pela boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês.

Segundo a Safras & Mercado, a expectativa de consumo permanece positiva para junho, especialmente com a movimentação gerada pelos jogos da Seleção Brasileira e pelo pagamento dos salários no período.

As referências do atacado ficaram em: Quarto dianteiro: R$ 21,70/kg Ponta de agulha: R$ 20,00/kg Quarto traseiro: R$ 27,00/kg O que esperar da arroba nas próximas semanas?

O mercado do boi gordo segue sustentado pela oferta restrita de animais terminados, especialmente em um momento em que a chegada do inverno tende a limitar ainda mais o desempenho das pastagens.

Por outro lado, a postura cautelosa da indústria frigorífica e as incertezas relacionadas ao mercado chinês impedem uma valorização mais agressiva da arroba.

O cenário descrito por Safras & Mercado, Agrifatto e Scot Consultoria aponta para um mercado de equilíbrio, com negociações pontuais, escalas relativamente curtas e preços ainda sustentados pela baixa disponibilidade de bovinos prontos para abate. O comportamento das exportações e a evolução da demanda chinesa deverão continuar ditando o rumo da arroba ao longo da segunda quinzena de junho.

*Escrito por Compre Rural Notícias