Policial
Mensagens apontam que combustível clandestino era negociado com prefeito
Irmão de Celso Ribeiro Abrantes foi preso em flagrante com motorista que descarregava produto no local
CAMPO GRANDE NEWS
Mensagens de texto e comprovantes de transferências bancárias encontrados no celular do motorista de caminhão-tanque Paulo Cezar Soares, de 50 anos, apontam que o esquema de desvio e venda clandestina de óleo diesel, descoberto pela Deleagro (Delegacia Especializada de Combate a Crimes Rurais e Abigeato) na manhã de quarta-feira (10), em Bandeirantes, a 70 quilômetros de Campo Grande, era negociado diretamente com Celso Ribeiro Abrantes, prefeito da cidade.
De acordo com a investigação, Celso é dono da oficina onde ocorreu o flagrante, irmão do mecânico preso no pátio Selmo Ribeiro Abrantes. O crime foi descoberto após equipe da especializada monitorar o local durante a operação Protetor das Divisas e Fronteiras.
Na ocasião, os policiais pegaram Selmo ajudando o motorista de uma transportadora a descarregar o combustível furtado diretamente em tanques plásticos escondidos sob árvores. Os dois foram autuados em flagrante pela equipe da Deleagro.
Embora o mecânico estivesse operando o transbordo do combustível no momento da abordagem, as provas colhidas pela polícia apontam para o dono da propriedade. Ao ser detido, Paulo confessou o furto e autorizou o acesso dos policiais ao seu aparelho telemóvel.
A análise do aparelho expôs que o comprador e articulador de toda a transação ilegal era Celso. Conforme o relatório da polícia, as conversas por aplicativo e os comprovantes de depósitos eletrônicos evidenciam que a negociação do produto ilícito ocorria de forma direta entre o motorista e o prefeito, que é dono do local.
Ainda segundo o relato do motorista, ele pretendia descarregar 600 litros de óleo diesel na manhã de quarta-feira, cobrando o valor fixo de R$ 4,00 por litro.
Já Selmo declarou em depoimento que sua função se limitava estritamente à manutenção dos veículos e à organização do pátio da oficina. Ele confirmou que já havia ajudado o motorista a descarregar combustível ali em duas ou três oportunidades anteriores, mas alegou que desconhecia totalmente os valores cobrados, a forma de pagamento ou a origem ilícita do produto, afirmando que as tratativas eram de exclusividade de seu irmão.
Apreensão
De acordo com o boletim de ocorrência, a polícia apreendeu quatro tanques de grande porte, contendo cerca de 1,7 mil litros de diesel S-500 e S-10 armazenados ilegalmente, além de 20 tambores plásticos de menor escala para fracionamento. A equipe pericial examinou o caminhão-tanque e o devolveu à empresa transportadora lesada.
O delegado titular da Deleagro, Mateus Zampieri Nogueira, ratificou a prisão de ambos os envolvidos e negou o direito à fiança na esfera policial devido à gravidade econômica e ao risco ambiental pelo armazenamento inadequado de substância inflamável.
Paulo Cezar responderá por furto qualificado com abuso de confiança e permaneceu na carceragem da especializada. Já o mecânico Selmo Abrantes foi transferido para as celas da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, em Campo Grande, onde aguarda a audiência de custódia.
Ao Campo Grande News, o delegado explicou que as investigações vão continuar para confirmar a participação de outras pessoas, além dos dois presos,no esquema.
Em pronunciamento oficial divulgado em vídeo nas redes sociais na manhã desta quinta-feira (11), Celso Ribeiro contestou as acusações e declarou que seu irmão, Selmo, foi 'vítima de uma situação com muita politicagem' arquitetada para atingi-lo.
'Se a gente cometeu uma contravenção, não chega a ser um crime porque, na realidade, quem trouxe o óleo aqui foram os próprios caminhões que traz com nota e tudo da transportadora. O único crime eu acho que aconteceu ali é a gente pegar um combustível sem nota', declarou Celso Abrantes.
O prefeito confirmou que o pátio da oficina costuma receber caminhões para a entrega de combustível, justificando o estoque pelo alto uso de maquinário próprio e de um caminhão de seu irmão, mas alegou que o único erro cometido no episódio foi o recebimento do óleo diesel sem a respectiva nota fiscal no momento do descarregamento.
Celso ainda sustentou que o combustível foi trazido por caminhões da própria transportadora e afirmou estar de 'bola para frente' e alegou confiar que a Justiça esclarecerá o caso e demonstrará o caráter e a inocência de seu irmão.





