Briga por energético e cigarro termina com homem morto a facadas

Vítima tentou se defender com um pedaço de telha, mas foi ferida e caiu a 100 metros do local do crime

BATANEWS/CGNEWS


Tiago Robson Reis de Lima, de 38 anos, morreu após ser esfaqueado durante briga em comunidade no Jardim Noroeste (Foto: Arquivo pessoal)

Tiago Robson Reis de Lima, de 38 anos, morreu na madrugada desta quarta-feira (10), após ser atingido por uma facada durante uma briga na Rua da Conquista, no Jardim Noroeste, em Campo Grande. Os suspeitos do crime foram identificados como Paulo de Paula Martins, Aldrea Aparecida de Paula Santos e Ricardo Dias Pereira.

De acordo com o boletim de ocorrência, Tiago chegou à casa da namorada por volta das 23h e a chamou na porta. Antes de entrar, um homem passou pelo local e pediu um gole do energético que ele segurava. Tiago deixou o homem beber e, em seguida, pediu um cigarro. A negativa iniciou uma discussão com xingamentos.

A namorada tentou encerrar a confusão e puxou Tiago para dentro da casa. Minutos depois, uma mulher apareceu em frente ao imóvel gritando que ele havia brigado com o marido dela. Tiago saiu novamente e passou a discutir com a mulher, com o homem com quem havia se desentendido antes e com um homem mais velho.

Ainda segundo o relato da namorada, os três passaram a danificar o muro de madeira da casa. Quando Tiago abriu a porta, os dois homens estavam com facas e a mulher segurava um pedaço de madeira. Ele pegou um pedaço de telha de eternit para tentar se defender, mas acabou ferido. Mesmo atingido, correu e foi perseguido.

À reportagem do Campo Grande News, a namorada, auxiliar de cozinha, de 31 anos, disse que a mulher teria sido a principal responsável por reacender a briga. Segundo ela, a suspeita chegou acompanhada do marido e do irmão, gritando, xingando Tiago e batendo no muro. A testemunha contou que pediu várias vezes para que parassem, enquanto os suspeitos quebravam a cerca e tentavam entrar.

Ela afirmou que, ao abrir o portão, Ricardo Dias Pereira teria avançado com uma faca. Tiago tentou se defender com a telha e teria acertado o rosto dele. Depois disso, conforme a testemunha, Paulo também partiu para cima da vítima. Os dois homens teriam forçado o portão até conseguir entrar. A namorada disse que Tiago já não tinha mais como se defender quando foi esfaqueado.

Depois de ferido, Tiago saiu correndo pela comunidade e caiu na rua, a cerca de 100 metros da casa. A namorada contou que foi avisada pelo irmão de que ele estava caído e que, ao chegar perto, ainda o chamou pelo nome. Segundo ela, Tiago respirou fundo e parou em seguida. O óbito foi constatado às 1h10.

A testemunha disse ainda que as filhas dela, de 7 e 14 anos, estavam dentro da casa no momento da confusão. A criança mais nova acordou com o barulho, mas foi mandada de volta para dentro. Após o crime, a namorada relatou ter visto um dos suspeitos voltar ao portão procurando uma carteira, com a faca na mão.

No local onde Tiago foi ferido, foi encontrada uma carteira com um cartão bancário, um comprovante de agendamento da Nuspen (Núcleo do Sistema Penitenciário) e uma intimação referente a um processo. Os documentos estavam em nome de Paulo de Paula Martins.

Imagens de câmeras de uma conveniência, localizada na esquina próxima ao local, foram obtidas pela polícia, por gravação da tela de um celular, já que o responsável não conseguiu extrair os arquivos diretamente do sistema de monitoramento. Nas imagens, aparecem três pessoas se aproximando de Tiago enquanto ele tenta fugir. Também foi visto um veículo Volkswagen Gol verde, saindo em alta velocidade.

Aldrea Aparecida de Paula Santos e Paulo de Paula Martins são irmãos. Ricardo Dias Pereira foi identificado como marido de Aldrea. Conforme informações reunidas no local, os três fugiram no Gol verde depois do crime.

A namorada disse que conhecia os suspeitos apenas de vista e que eles eram novos na Comunidade Esperança. Segundo ela, o primeiro homem era negro, alto e magro; a mulher era baixa, magra e tinha cabelos bem brancos; o terceiro era mais velho e marido dela. Ela também afirmou que os suspeitos moravam na mesma rua, mais abaixo, mas que não tinha convivência com eles.

Materiais foram recolhidos no local para análise, incluindo quatro amostras com vestígios de sangue retiradas da telha e um pedaço de madeira possivelmente usado na agressão. O corpo de Tiago foi recolhido pela equipe funerária.

Para a reportagem, a namorada contou que Tiago e ela estavam juntos havia menos de um mês, desde 30 de maio. Segundo ela, ele tinha trabalhado no dia anterior, passou para receber dinheiro do serviço e chegou mais tarde à casa dela. A intenção era dormir no local para trabalhar no dia seguinte.

Ela também afirmou que avisou a mãe de Tiago, que mora em São Paulo, por mensagem de áudio durante a madrugada. Até o fechamento do registro da ocorrência, nenhum dos suspeitos havia sido localizado.

O caso foi registrado como homicídio qualificado por motivo torpe na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol.