Justiça
Os bastidores das citações a ministros do STF na delação recusada de Daniel Vorcaro
Segundo Robson Bonin, investigadores avaliaram que ex-banqueiro omitiu informações relevantes e comprometeu a credibilidade da primeira proposta de colaboração
BATANEWS/REDAçãO VEJA SEGUIR SEGUINDO
A primeira tentativa de acordo de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro fracassou após investigadores concluírem que o empresário omitiu informações consideradas relevantes e resistiu a apresentar detalhes esperados pelas autoridades. A avaliação foi apresentada pelo editor da coluna Radar, Robson Bonin, no programa VEJA em Foco, comandado por Marcela Rahal, com base em fontes ligadas à investigação (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo Bonin, a desconfiança sobre as intenções do dono do Banco Master acompanha o caso desde o início. A principal dúvida entre os investigadores seria se o empresário realmente pretendia colaborar com as apurações ou se buscava construir uma proposta capaz de preservar personagens influentes. “Os três poderes estão envolvidos nesse caso do Banco Master”, afirmou o colunista ao comentar a avaliação das autoridades responsáveis pela investigação.
Quais nomes apareceram na delação?
De acordo com Bonin, algumas autoridades foram mencionadas nos anexos da proposta apresentada por Vorcaro, entre elas o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o também ministro do STF Dias Toffoli, o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, e o senador Ciro Nogueira.
Segundo o colunista, o conteúdo chamou atenção dos investigadores por seguir um caminho diferente do normalmente esperado em acordos de colaboração. Em vez de apresentar informações sobre possíveis crimes, Vorcaro teria utilizado parte dos anexos para relatar situações que, segundo sua versão, demonstrariam a regularidade de negócios envolvendo essas autoridades.
Bonin afirmou que, no caso de Alexandre de Moraes, Vorcaro teria justificado a contratação do escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro, em razão da reputação da banca na área de compliance. Em relação a Dias Toffoli, o empresário teria alegado não possuir informações sobre eventual irregularidade envolvendo um empreendimento ligado ao cunhado do magistrado.
Por que os investigadores rejeitaram a proposta?
Segundo a apuração apresentada no programa, investigadores avaliaram que a narrativa construída por Vorcaro não correspondia ao que já havia sido reunido durante as investigações. “A Polícia Federal sabe que não é bem assim”, afirmou Bonin. Segundo ele, em alguns episódios as autoridades já possuiriam elementos que contradiriam versões apresentadas pelo empresário.
Na avaliação relatada pelo colunista, a falta de informações sobre personagens considerados relevantes também contribuiu para o insucesso da negociação. Bonin citou o caso do senador Flávio Bolsonaro, que não teria sido incluído na proposta de colaboração, embora tenha passado a ser alvo de investigação a partir de conteúdos encontrados no celular de Vorcaro.
Vorcaro ainda pode fechar um acordo?
Apesar do fracasso da primeira tentativa, Bonin afirmou que as negociações não foram encerradas. Segundo ele, o empresário voltou a discutir um possível acordo com as autoridades, trocou de advogado e tenta reconstruir a credibilidade necessária para uma nova rodada de negociações.
De acordo com o colunista, investigadores e integrantes da Procuradoria-Geral da República passaram a discutir a possibilidade de conceder uma nova oportunidade para que Vorcaro apresente informações consideradas mais consistentes. “Ainda há agora a possibilidade de uma segunda chance dada pela PF e pela PGR”, afirmou.
Como os investigadores enxergam Daniel Vorcaro?
Ao encerrar sua análise, Bonin descreveu o que classificou como uma contradição presente na avaliação dos investigadores sobre o empresário.
Segundo o colunista, existe um contraste entre a imagem apresentada por Vorcaro na proposta de delação e o conteúdo das mensagens já apreendidas durante a investigação. “Ele parece ter duas faces”, afirmou Bonin.
De um lado, segundo o relato do colunista, surge um empresário que procura se apresentar como alguém preocupado com o futuro do país e disposto a colaborar com as autoridades. De outro, aparecem as mensagens já conhecidas pela investigação, que, segundo Bonin, alimentam dúvidas sobre a credibilidade da versão apresentada pelo empresário na primeira tentativa de acordo.




