Policial
Investigação que chegou a megatraficante foragido começou há 7 meses em MS
Líder do PCC, Gerson Palermo estava em fuga desde 2020 após ser solto por desembargador acusado de vender HC
CAMPO GRANDE NEWS
A prisão do narcotraficante internacional Gerson Palermo, nesta terça-feira (26), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, é resultado de uma investigação iniciada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, em outubro do ano passado, depois que ele ordenou o sequestro da própria filha, em Campo Grande. A jovem de 25 anos foi torturada no cativeiro, uma casa nas Moreninhas, e depois de libertada, ajudou a Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros) a prender os sequestradores.
Segundo a Polícia Civil, o caso começou a ser apurado depois da identificação de um plano articulado por Palermo para sequestrar a filha em razão de uma disputa envolvendo R$ 50 mil, dinheiro que teria origem no narcotráfico.
Conforme divulgado à época pelo Campo Grande News, a jovem foi abordada quando saía do trabalho, na região central da Capital. Para atraí-la, o pai ligou afirmando que mandaria alguém entregar uma quantia em dinheiro, a fim de ajudar nos custos do tratamento de saúde da avó, que é acamada.
Dois homens estavam no carro e disseram, segundo boletim de ocorrência, que queriam receber dinheiro do 'velho', apelido dado a Gerson Palermo. Na sequência, a vítima foi levada ao cativeiro, onde foi torturada com agressões físicas e psicológicas.
Em fotos que os sequestradores chegaram a mandar ao marido da vítima, ela aparecia amarrada. Eles exigiam dinheiro em troca da libertação e faziam ameaças de morte. 'Esse é o último áudio que você vai ouvir dela', e, na sequência, enviavam mensagens da vítima em tom de desespero: 'Eu amo vocês'.
O marido avisou a Garras. Nesse ínterim, Palermo chegou a falar com o avô materno da vítima em uma ligação em que o genro, marido da vítima, também participava. Gerson afirmava que não iria acontecer nada com a filha caso 'devolvessem o dinheiro'. Também afirmou que estava sendo ameaçado e que todos iriam 'morrer por causa desse dinheiro'.
Durante as diligências da polícia, a jovem foi libertada na região das Moreninhas. Ela ligou de uma loja de conveniência para o marido, em resgate acompanhado pela Garras. Aos policiais confirmou que o pai orquestrou o sequestro e que ele estava escondido com a mãe dela na Bolívia.
Nesta terça-feira, ela preferiu não comentar a captura do pai. Disse apenas que soube da prisão pela manhã e informou que eventuais manifestações serão feitas por meio do advogado da família. “Eu não tenho nada a comentar sobre isso', disse.
Sete meses 'na cola' do foragido – A partir da elucidação do caso, a investigação prosseguiu por meio do Núcleo de Inteligência Policial da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), em atuação integrada com a Polícia Federal e a FELCN (Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia). O trabalho permitiu identificar a localização de Palermo na região de Santa Cruz de la Sierra, a maior e mais populosa cidade boliviana.
De acordo com a Polícia Civil, após meses de monitoramento e troca de informações estratégicas entre as forças de segurança brasileiras e bolivianas, a polícia da Bolívia deflagrou operação que culminou na prisão do investigado nesta terça-feira.
Gerson Palermo é apontado pelas autoridades como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior organização criminosa do Brasil, que lucra com o tráfico internacional de drogas. O nome do narcotraficante está ligado ao transporte de cocaína da Bolívia para o país e outros destinos internacionais, além da lavagem do dinheiro obtido com os negócios ilegais.
Foragido desde 2020 e condenado a 126 anos, o narcotraficante tem histórico de “façanhas criminais' e traz no currículo a “responsabilidade' pela derrocada do desembargador Divoncir Schreiner Maran, do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). O crime mais ousado foi em 16 de agosto de 2000, quando sequestrou um Boeing da Vasp. Já o episódio que levou à punição do magistrado foi em abril de 2020.
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