Pesquisas eleitorais: como está a disputa Lula x Flávio após novos Datafolha e AtlasIntel

Levantamentos mostram avanço do presidente após escândalo do Banco Master e acendem alerta na campanha do senador do PL

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) (Ricardo Stuckert/PR/Carlos Moura/Agência Senado/Divulgação)

A corrida presidencial de 2026 entrou em uma nova fase após a divulgação das pesquisas AtlasIntel e Datafolha realizadas depois da crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Pela primeira vez desde o lançamento da pré-candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, os principais institutos captaram um movimento consistente de desgaste eleitoral do senador e ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os novos números consolidam uma inflexão importante na disputa. Até abril, Flávio aparecia em trajetória de crescimento, havia herdado rapidamente o eleitorado bolsonarista e chegou a superar numericamente Lula em alguns cenários de segundo turno. Agora, no entanto, a divulgação dos áudios envolvendo pedidos de recursos para o filme Dark Horse produziu o primeiro abalo da campanha do senador.

O que mostrou a nova AtlasIntel?

A AtlasIntel/Bloomberg foi o primeiro grande instituto a medir integralmente os efeitos políticos do escândalo. A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio, já depois da divulgação dos áudios. No primeiro turno, Lula apareceu com 47% das intenções de voto, enquanto Flávio caiu para 34,3%. A distância entre os dois chegou a quase treze pontos percentuais.

No segundo turno, o presidente também abriu vantagem mais confortável sobre o senador. Até então, os dois apareciam em situação de empate técnico nos principais levantamentos nacionais. A pesquisa mostrou ainda o tamanho da repercussão pública do episódio. Segundo o instituto, 95,6% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento do caso e 93,9% afirmaram ter ouvido o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro.

Outro dado importante foi a mudança de percepção sobre o escândalo. O percentual de eleitores que associam o caso Banco Master ao entorno de Jair Bolsonaro saltou de 28,3% em março para 43,3% em maio. A AtlasIntel acabou entrando também em uma disputa política e jurídica. O PL pediu a impugnação da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral alegando que o questionário induzia respostas negativas ao reproduzir o áudio de Flávio Bolsonaro aos entrevistados. O instituto negou qualquer contaminação metodológica.

Como o Datafolha confirmou o desgaste de Flávio?

A nova pesquisa Datafolha, divulgada em 22 de maio, reforçou a tendência identificada pela AtlasIntel. No cenário de primeiro turno, Lula abriu nove pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro: 40% a 31%. Apenas uma semana antes, os dois apareciam tecnicamente empatados, em um quadro de 38% para Lula e 35% para o senador.

No segundo turno, a igualdade anterior — 45% para cada lado — transformou-se em vantagem de quatro pontos para o presidente: 47% a 43%. O levantamento do Datafolha foi particularmente importante porque a pesquisa anterior do instituto ainda havia sido realizada majoritariamente antes da explosão pública do caso Banco Master.

O levantamento, no entanto, frustrou petistas e trouxe más notícias para Lula.

Agora, o escândalo já aparecia consolidado no debate público. Segundo o instituto, 64% dos entrevistados disseram ter ouvido falar do episódio, e o mesmo percentual afirmou considerar que Flávio Bolsonaro “agiu mal” no caso.

Quem cresceu com a queda de Flávio Bolsonaro?

Apesar do recuo do senador nas pesquisas, os levantamentos mostram que a direita ainda não encontrou um substituto consolidado para a disputa presidencial. Na AtlasIntel, quem mais avançou foi o empresário e ativista do MBL Renan Santos (Missão), que chegou a 6,9% das intenções de voto.

Já no Datafolha, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) continuam oscilando entre 3% e 4%, sem conseguir absorver de forma significativa o eleitorado perdido por Flávio. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também apareceu pela primeira vez em cenários do Datafolha. Em um eventual segundo turno contra Lula, ela marcou 43%, contra 48% do presidente. No primeiro turno, Michelle registrou 22%, abaixo dos 31% obtidos por Flávio.

O que os números indicam para 2026?

As pesquisas divulgadas após o escândalo do Banco Master mostram que a disputa presidencial continua polarizada entre PT e bolsonarismo, mas revelam também que Flávio Bolsonaro perdeu parte da blindagem política que sustentava sua rápida ascensão eleitoral. Até poucas semanas atrás, a principal dúvida no entorno do governo Lula era se o senador conseguiria transformar a força do sobrenome Bolsonaro em uma candidatura consolidada já no primeiro semestre de 2026. Agora, o debate mudou.

A nova questão passou a ser se Flávio conseguirá interromper a deterioração de sua imagem antes que o desgaste provoque movimentos mais fortes dentro do centrão, do mercado financeiro e do próprio campo conservador em busca de alternativas para enfrentar Lula.