Dólar recua com alívio no mercado internacional, mas segue acima dos R$ 5

BATANEWS/REDAçãO


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O dólar fechou em queda nesta quarta-feira (20), impulsionado por um cenário mais favorável no mercado internacional e pela redução das tensões envolvendo o Oriente Médio. Apesar da desvalorização da moeda norte-americana ao longo do dia, a cotação permaneceu acima da marca de R$ 5 no encerramento das negociações.

A melhora no ambiente externo foi motivada por notícias indicando maior circulação de navios no Estreito de Ormuz, importante rota do comércio mundial de petróleo, além de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizando avanços nas negociações com o Irã. O cenário ajudou a derrubar os preços do petróleo e reduziu parte das preocupações do mercado com a inflação global.

Com isso, investidores voltaram a buscar ativos considerados mais arriscados, favorecendo moedas de países emergentes, como o real. O dólar comercial chegou a atingir máxima de R$ 5,0576 pela manhã, mas perdeu força ao longo do dia. Na reta final dos negócios, encostou em R$ 5,00 e encerrou cotado a R$ 5,0034, com baixa de 0,74%.

Mesmo com a queda desta quarta-feira, a moeda norte-americana ainda acumula valorização de 1,02% no mês. Já no acumulado de 2026, o dólar apresenta retração próxima de 9% frente ao real.

Segundo analistas do mercado financeiro, a redução das tensões geopolíticas contribuiu diretamente para a melhora do humor dos investidores. A queda nas taxas dos títulos do governo norte-americano também abriu espaço para a recuperação das moedas emergentes.

As falas de Trump tiveram forte impacto no setor de energia. O contrato do petróleo Brent, referência internacional e utilizado como parâmetro pela Petrobras, caiu mais de 5% no mercado internacional, fechando perto de US$ 105 o barril.

Especialistas destacam, porém, que o cenário para o real ainda inspira cautela. Além das incertezas no exterior, fatores políticos internos seguem influenciando o comportamento do câmbio. O aumento da volatilidade no ambiente eleitoral brasileiro e as dúvidas sobre o fluxo de investimentos continuam no radar dos investidores.

Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o fluxo cambial brasileiro permaneceu positivo na última semana, com entrada líquida superior a US$ 3 bilhões, principalmente pelo canal financeiro. Ainda assim, economistas observam que o real teve uma das maiores perdas recentes entre moedas emergentes, reflexo do aumento das incertezas políticas no país.