Cotidiano
Gatos escondem sofrimento e sinais podem surgir em pequenos hábitos
Mudanças na alimentação, higiene e interação revelam desconforto antes de sintomas graves aparecerem
BATANEWS/CGNEWS - LADO B
Gatos têm fama de independentes e resistentes, mas justamente essas características fazem com que muitos tutores demorem a perceber quando o animal está sofrendo. Médico-veterinário, Thiago Oliveira explica que os felinos são especialistas em esconder a dor e, na maioria das vezes, os sinais aparecem de maneira sutil, em pequenas mudanças de comportamento que passam despercebidas dentro de casa.
Segundo ele, isso acontece porque os gatos carregam um instinto de sobrevivência selvagem. Na natureza, demonstrar fragilidade poderia transformá-los em alvo fácil para predadores. Mesmo domesticados, eles ainda mantêm esse comportamento.
“Diferente dos cães, que costumam demonstrar mais claramente quando estão incomodados, o gato tende a ficar mais quieto e reservado. Muitas vezes, o tutor acha que ele só está mais manhoso ou mais isolado, quando na verdade pode existir dor', explica Thiago.
O veterinário destaca que o primeiro passo é observar mudanças na rotina. Um gato ativo que deixa de brincar, um animal carinhoso que passa a evitar contato ou até mesmo um felino mais irritado podem estar tentando comunicar algum desconforto.
Outro detalhe importante é o isolamento. Muitos gatos com dor procuram lugares escondidos da casa, como embaixo da cama, dentro de armários ou atrás de móveis. Há também aqueles que passam o dia inteiro dormindo e reduzem bastante a interação com a família.
Além do comportamento, a postura corporal pode denunciar sofrimento. Thiago explica que gatos com dor costumam ficar encolhidos, com o abdômen contraído, costas arqueadas e movimentos mais lentos. Em alguns casos, o animal evita pular no sofá, subir em móveis ou usar locais altos que antes frequentava normalmente.
“Às vezes, o tutor percebe só que o gato parou de subir no guarda-roupa ou na janela, mas isso pode indicar dores articulares, musculares ou até problemas mais graves', comenta.
A alimentação também funciona como sinal de alerta. Redução do apetite, dificuldade para mastigar, abandono da água ou perda de peso sem motivo aparente precisam ser investigados. Alguns gatos ainda podem apresentar aumento da agressividade ao serem tocados, especialmente em regiões doloridas.
Outro comportamento comum é a alteração na higiene. Gatos são conhecidos pelo hábito frequente de se limpar, então quando deixam de se lamber ou passam a apresentar pelos arrepiados e aparência descuidada, o tutor deve observar. Em alguns casos, acontece o contrário e o felino lambe excessivamente uma área específica do corpo por causa da dor.
A caixa de areia também pode revelar problemas. “Fazer necessidades fora do local habitual, dificuldade para urinar, miados durante o xixi ou idas frequentes à caixa podem indicar dores urinárias, que são comuns nos felinos', pontua.
Thiago alerta que mudanças nos miados merecem atenção. Alguns gatos passam a vocalizar mais, enquanto outros ficam extremamente silenciosos. “Respiração ofegante, tremores e olhos mais fechados ou sem brilho, tudo isso também podem indicar sofrimento', destaca.
Apesar dos sinais discretos, o veterinário reforça que qualquer alteração persistente no comportamento deve motivar uma avaliação clínica. Isso porque a dor pode estar relacionada desde problemas dentários e inflamações até doenças renais, urinárias, articulares e neurológicas.
“O gato dificilmente vai demonstrar dor de forma exagerada. Por isso, o tutor precisa prestar atenção nos detalhes do dia a dia. Quanto mais cedo perceber as mudanças, maiores são as chances de diagnóstico rápido e tratamento adequado', afirma.
O veterinário também alerta para jamais oferecer medicação humana sem orientação profissional. Remédios comuns usados por pessoas podem ser altamente tóxicos para os gatos e provocar intoxicações graves.
“No caso dos felinos, automedicação é um risco muito sério. O ideal é procurar atendimento veterinário assim que perceber qualquer comportamento fora do normal', finaliza.
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