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Anvisa mantém suspensão de produtos da Ypê e define próximos passos sobre o caso; entenda
Fabricação, distribuição e uso seguem proibidos após agência identificar falhas “sistêmicas'; retirada do mercado será gradual e baseada em análise de risco
BATANEWS/VEJA
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu nesta sexta-feira, 15, manter suspensas a fabricação, comercialização, distribuição e uso de produtos da Ypê atingidos pela resolução publicada no início de maio, após inspeções identificarem falhas consideradas graves nos processos produtivos da empresa. A única mudança na decisão diz respeito ao recolhimento dos produtos.
Durante reunião da diretoria colegiada, a agência declarou que a suspensão continua vigente porque entendeu que o problema não está restrito a alguns lotes contaminados, mas sim ao próprio sistema de controle sanitário da fábrica.
“A área técnica constatou que não se tratam de eventos pontuais, mas um comprometimento sistêmico dos processos produtivos”, declarou a Anvisa.
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De acordo com relatório, as equipes identificaram “falha simultânea de múltiplas barreiras críticas de controle”, cenário classificado pela agência como de alto risco sanitário, especialmente por envolver produtos saneantes.
A diretoria da Anvisa também afirmou que a repercussão do caso gerou uma “discussão polarizada” que, segundo a agência, não reflete a motivação técnica da medida.
“A atuação da Anvisa é fundamentada em avaliação técnico-científica, cujo objetivo primordial é a proteção da saúde da população brasileira”, afirmou o órgão.
Histórico de irregularidades
Durante a reunião, diretores citaram um histórico de não conformidades sanitárias desde 2022, incluindo alterações de odor.
A agência afirmou ainda que, desde 2024, foram registrados problemas microbiológicos recorrentes em produtos da empresa, além de recolhimentos voluntários motivados por risco de contaminação.
Em 2025, segundo a diretoria, análises confirmaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em diferentes lotes — microrganismo associado a infecções oportunistas e considerado especialmente preocupante para pessoas imunocomprometidas.
Durante a inspeção realizada entre os dias 27 e 30 de abril deste ano, técnicos identificaram falhas consideradas graves nas boas práticas de fabricação, incluindo deficiência no controle de qualidade, monitoramento microbiológico inadequado, problemas de rastreabilidade e falhas no sistema de água da fábrica, apontado pela Anvisa como uma possível fonte contínua de contaminação.
“A própria empresa reconheceu a existência de mais de 100 lotes com resultados microbiológicos insatisfatórios”, disse a Anvisa.
Recolhimento
Apesar de a suspensão dos produtos seguir mantida pela Anvisa, a agência decidiu alterar a forma de recolhimento dos itens. Na prática, a fabricação, comercialização e distribuição continuam suspensas, mas a retirada do mercado não ocorrerá de forma imediata e generalizada.
A decisão vale para detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes identificados com lotes de numeração final 1.
Segundo a agência, a empresa deverá apresentar um plano de ação baseado em análise de risco sanitário para orientar a retirada dos produtos do mercado. A proposta é que o processo seja acompanhado tecnicamente pela vigilância sanitária, permitindo avaliação e eventual liberação gradual dos itens, lote a lote.
A reportagem procurou a Ypê para comentar a decisão da Anvisa e aguarda posicionamento da empresa. O texto será atualizado caso haja manifestação.





