Após derrotas de Lula, esquerda retoma ofensiva contra ‘Congresso inimigo do povo’

Ato de 1º de Maio em São Paulo tem discursos contra o Parlamento, em defesa do governo e convocações para derrotar a direita em outubro nas urnas

BATANEWS/VEJA


Manifestantes participam de ato da esquerda relativo ao 1º de Maio na Praça Roosevelt, em São Paulo (Bruno Caniato/VEJA)

Cerca de mil pessoas aderiram a uma manifestação contra a escala de trabalho 6×1 realizada pela esquerda sindicalista em São Paulo nesta sexta-feira, 1º de Maio. O ato ocorreu na Praça Roosevelt, região central da capital paulista, com início por volta das 9h.

No trio elétrico, o tom geral dos palestrantes foi de críticas ferrenhas ao Congresso Nacional, na esteira de duas duras derrotas sofridas pelo governo Lula no Legislativo. Na quarta-feira, 29, o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. No dia seguinte, os parlamentares derrubaram os vetos presidenciais ao PL da Dosimetria, abrindo caminho para a redução de penas de condenados por tentativa de golpe de Estado — entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Tanto em bandeiras quanto no microfone, o lema “Congresso inimigo do povo” foi exibido e repetido à exaustão e ecoado pelos manifestantes. Em diversos momentos, os presentes entoaram coros de “Sem anistia” e “Dosimetria é traição, o Congresso é inimigo da nação”.

O uso da expressão “Congresso inimigo do povo” foi adotado com bastante força em meados do ano passado, quando deputados e senadores impuseram derrotas ao governo, como na votação das alíquotas do IOF — a ofensiva à época irritou os chefes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que reclamaram a Lula.

Discursaram no palanque várias lideranças políticas de esquerda, como as ex-ministras Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente, e Sônia Guajajara (PSOL), dos Povos Indígenas, e a deputada federal Érika Hilton (PSOL), autora da proposta legislativa que extingue a escala 6×1 no Brasil. “É aqui que estão os verdadeiros patriotas desse país”, declarou a parlamentar, ironizando o termo que virou identidade para a direita bolsonarista e cristã.

Líderes sindicais e estudantis aproveitaram a oportunidade de chamar de “bandidos” os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). Ambos foram recorrentemente apontados como antagonistas ao governo federal e responsáveis pelas articulações que levaram à recusa de Messias e à derrubada dos vetos à dosimetria.

Eleições

A campanha eleitoral de 2026 também foi pauta da manifestação. Diversos palestrantes clamaram aos manifestantes por uma frente ampla da esquerda para reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e eleger o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao governo de São Paulo — o atual gestor, Tarcísio de Freitas, foi chamado de “pior governador da história paulista” e responsabilizado por operações policiais violentas que causaram dezenas de mortes no litoral do estado.