Vale a pena mudar a dieta depois dos 60 para evitar Alzheimer? Pesquisa explica

Estudo avaliou três versões de dietas à base de plantas para determinar o risco de desenvolvimento da doença e o impacto de mudar padrão alimentar

BATANEWS/VEJA


CONSENSO - Ponto para os vegetais: cardápios protetores pregam prioridade para frutas e hortaliças (Noel Hendrickson/Getty Images)

Embora seja um campo de estudo recente, com as primeiras publicações há menos de uma década, já há um consenso científico de que o consumo de alimentos ultraprocessados está associado ao risco aumentado de desenvolvimento de doença de Alzheimer e outras demências. Uma nova investigação reforçou essa associação, mas trouxe uma boa notícia: a mudança na dieta mesmo em idades mais avançadas ajuda a evitar a condição.

Publicado na revista científica Neurology, publicação da Academia Americana de Neurologia (AAN), o estudo utilizou dados de 92.849 participantes com idade média de 59 anos e de um grupo menor, com 45.065 pessoas, que fez mudanças na dieta e voltou a ser investigado dez anos depois.

Os pesquisadores avaliaram três dietas à base de plantas: a que prioriza alimentos vegetais sem considerar a qualidade deles, à base de plantas saudável — que contempla grãos integrais, óleos vegetais, oleaginosas, frutas e verduras — e à base de plantas não saudável, que inclui os ultraprocessados, os alimentos ricos em gordura, sódio e açúcares adicionados.

Esses subgrupos foram avaliados e receberam pontuações de acordo com os alimentos saudáveis ou não que consumiam. Ao observar o grupo geral da dieta à base de plantas, aqueles que priorizaram o consumo de alimentos vegetais tinham um risco 12% menor de desenvolver demências. Entre os que seguiam a dieta saudável à base de plantas, o índice de risco reduzido foi de 7%. No grupo da dieta não saudável, o percentual de risco aumentado foi de 6%.

“Dietas à base de plantas têm se mostrado benéficas na redução do risco de doenças como diabetes e hipertensão, mas pouco se sabe sobre o risco da doença de Alzheimer e outras demências”, disse, em comunicado da AAN à imprensa, Song-Yi Park, autora do estudo e membro do Centro de Câncer da Universidade do Havaí em Manoa, em Honolulu.

E a mudança da dieta?

No grupo de 45.065 pessoas que relataram sua dieta após dez anos, foi possível compreender os desfechos de adotar pratos mais saudáveis. Quem baixou a qualidade da alimentação, incorporando ultraprocessados, apresentou um risco 25% maior de demência. Os que melhoraram a dieta, por outro lado, demonstraram risco 11% menor.

“Descobrimos que adotar uma dieta à base de plantas, mesmo começando em uma idade mais avançada e evitar dietas à base de plantas de baixa qualidade estavam associados a um menor risco de Alzheimer e outras demências”, explicou a pesquisadora.

A limitação do estudo é o fato de ter utilizado questionário alimentares, que podem não refletir com exatidão todas as refeições dos participantes, mas já é possível saber que não tem idade para mexer no cardápio e adotar uma alimentação mais saudável para evitar o risco de Alzheimer.