Palmeiras é 4º clube no mundo a fazer mais dinheiro com venda de atletas da base

Alviverde se destaca em pesquisa da CIES Football Observatory, sendo também o único brasileiro no Top 10 clubes que mais arrecadaram com vendas da base nos últimos 10 anos

BATANEWS/GE


Palmeiras x Botafogo-SP, Estêvão e Endrick — Foto: Marcos Ribolli

Se Eduardo Conceição, com apenas 16 anos, chamou a atenção do Grupo City e pode se tornar a próxima grande venda da história do Palmeiras, não é por acaso.

O Alviverde se consolidou como maior formador de talentos do futebol brasileiro na década e não à toa tornou-se o quarto clube no mundo a fazer mais dinheiro com a venda de atletas da base nos últimos cinco anos.

É o que aponta uma pesquisa da CIES Football Observatory, o Centro Internacional de Estudos do Esporte, divulgada em abril.

O Palmeiras acumula 289 milhões de euros (R$ 1,7 bilhão na cotação atual) em transferências de atletas revelados pelo clube neste período, em quarto lugar do ranking. O Chelsea lidera com 366 milhões de euros (R$ 2,1 bilhões), seguido do Manchester City com 318 milhões de euros (R$ 1,8 bilhão) e do Aston Villa com 293 milhões de euros (R$ 1,7 bilhão).

Desde o dia que chegamos, imaginamos isso: transformar o Palmeiras em uma potência na base, da forma que o clube se transformou mundialmente – diz João Paulo Sampaio, coordenador da base alviverde, ao ge.

A gente só fica feliz, mas com mais cobrança e mais fome para continuar a ter essas metas e estar entre as melhores bases do mundo. Isso nossa torcida pode ficar tranquila que vamos estar sempre procurando se manter ou melhorar para ser Top 5 do mundo.

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O levantamento considera valores incluindo bônus, independentemente de o pagamento ter sido efetuado ou não, e quantias obtidas com vendas futuras. Os clubes de formação, por sua vez, são aqueles em que os jogadores passaram pelo menos três temporadas entre os 15 e 21 anos de idade.

O Palmeiras entende ter mais jogadores e algumas negociações menores que não foram incluídas na conta da CIES, como na venda de Gustavo Mancha, em que tem uma porcentagem no Fortaleza, e outros negócios de até 2 milhões de euros.

Ao ampliar o recorte para os últimos dez anos, o Palmeiras é o único brasileiro no Top 10, aparecendo em 9º lugar com 356 milhões de euros (R$ 2 bilhões).

São 100 clubes citados, com outros nove brasileiros: Flamengo, São Paulo, Santos, Fluminense, Grêmio, Corinthians, Vasco, Athletico e Internacional.

Nos últimos 10 anos:

Benfica - 589 milhões de eurosAjax - 454 milhões de eurosChelsea - 442 milhões de eurosLyon - 423 milhões de eurosSporting - 417 milhões de eurosManchester City - 404 milhões de eurosReal Madrid - 395 milhões de eurosMonaco - 378 milhões de eurosPalmeiras - 356 milhões de eurosBayer Leverkusen - 339 milhões de euros

Em número de jogadores

Além dos valores, a pesquisa cita o número de jogadores negociados por cada clube. O Ajax lidera este tópico, com 43 atletas, e o Palmeiras aparece em 13º com 32.

Entre os brasileiros, São Paulo e Flamengo aparecem em 6º e 7º com 37 e 36 atletas. Ou seja, o Palmeiras precisou de menos jogadores para fazer maior volume de receita em comparação aos clubes do Brasil que aparecem a frente nesse ranking.

Como o Palmeiras chegou a esses números?

Tudo começa principalmente nas mudanças estruturais da última década.

Entre 2013 e 2015, tentando se reorganizar após o rebaixamento, o Palmeiras, na gestão de Paulo Nobre, trouxe nomes dedicados para cada área do futebol: Alexandre Mattos e Cícero Souza no principal, e João Paulo Sampaio na base, com o intuito de transformar o clube em referência na formação de atletas.

Naquela época, iniciou mudanças na estrutura, triplicando o número de treinadores de quatro para 12 e adotando captadores em quatro das cinco regiões do Brasil, além de promover mudanças na mentalidade do clube.

Em 2016, fez aquela que considera como a primeira grande venda: Gabriel Jesus ao Manchester City, da Inglaterra, por 32,75 milhões de euros (R$ 121 milhões na cotação da época).

– Estou na Europa há nove anos e o trabalho continua dando frutos. É uma comprovação do quanto o projeto no clube seguiu um caminho de excelência mesmo depois de tanto tempo – observa Gabriel Jesus.

Em 2017, as vendas ganharam ritmo com divulgação ao futebol internacional e dois anos depois o Palmeiras já estava negociando jogadores que nem sequer haviam estreado no profissional.

Consequentemente, acumulou recordes nos últimos anos, com Endrick e Estêvão entre as maiores vendas da história do futebol brasileiro e em seguida Vitor Reis sendo o zagueiro mais caro do país, negociado ao Manchester City por 37 milhões de euros, superando Beraldo, do São Paulo.

– O clube me preparou em todos os aspectos e isso faz diferença quando a gente chega aqui fora. Fico feliz de fazer parte de uma geração que não só realiza sonhos, mas também ajuda a valorizar ainda mais a base do Palmeiras – diz o zagueiro, que foi recém convocado por Ancelotti na seleção brasileira.

Em 2026, o clube tem a meta de fazer R$ 399 milhões em venda de atletas, mas neste caso indo além de jogadores formados na base.

Um dos nomes candidatos a receber boas propostas neste ano, porém, para além de Eduardo Conceição, é o meia-atacante Allan, de 20 anos, também formado na base do clube.