Nipah: 3 mentiras e 3 verdades que circulam sobre o vírus

O que se sabe ao certo, o que é dúvida e o que não passa de fake news sobre o patógeno que preocupa a Ásia

BATANEWS/VEJA


Nipah vírus: patógeno está na lista de prioridades da OMS (Ilustração: Veja Saúde/VEJA)

Toda vez que um vírus soa o alarme das autoridades, uma avalanche de especulações e informações infundadas é despejada nas redes sociais. Com o Nipah, que voltou a aparecer na Índia e em Bangladesh, não é diferente. Então convém entender o que a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ciência e os especialistas dizem a respeito – e os reais riscos para o Brasil.

O Nipah já está circulando no Brasil  

Mentira. Trata-se de uma fake news disseminada pelas redes, inclusive baseada em um vídeo postado pela primeira vez na época da pandemia de covid. O Ministério da Saúde já negou essa história. Não há evidências de que o vírus circule no país nem vítimas por aqui. Aliás, o gênero de morcego que propaga o Nipah não é encontrado nas Américas.

É um vírus altamente letal 

Verdade. Desde que foi identificado em um primeiro surto na Malásia, em 1998, o Nipah já causou centenas de mortes. Estima-se que sua taxa de letalidade varie de 40% a 70%. Isso significa que, a cada dez infectados, entre quatro e sete podem falecer. O patógeno causa uma grave encefalite, inflamação do cérebro que pode resultar em perda de consciência, convulsão e óbito se não for remediada a tempo.

O patógeno está se alastrando na Ásia 

Mentira. O Nipah afetou, segundo as notificações oficiais compartilhadas com a OMS, três pessoas até agora, duas na Índia e uma em Bangladesh – e a última de fato morreu devido à infecção. Mas esse vírus tem um nível de transmissão bem mais baixo que patógenos respiratórios, como os da gripe e covid. Em geral, o contágio ocorre após contato com secreções de morcegos ou ingestão de alimentos contaminados por eles. Em algumas regiões da Ásia, há o costume de consumir frutos e seiva da tamareira, árvore que abriga morcegos à noite. A transmissão entre humanos é rara e depende de contato próximo com fluidos corporais de alguém infectado.

O Nipah causará a próxima pandemia 

Mentira. Isso é altamente improvável. Embora o vírus esteja na lista de patógenos preocupantes e prioritários da OMS, o risco de uma pandemia é considerado baixo pela entidade. Justamente por causa de suas limitações de transmissão – situação bem diferente de vírus como o da gripe e o da covid. Ainda assim, a probabilidade de novos surtos na Ásia não é desprezível. Daí a necessidade de manter vigilância sobre ele.

O vírus pode afetar outros animais

Verdade. Na realidade, o reservatório natural do Nipah é um gênero de morcegos encontrado predominantemente na Ásia (Pteropus). Mas já se sabe que ele pode infectar porcos – o primeiro surto que chegou a humanos na Malásia teria começado entre suínos. Isso gera certa preocupação porque animais de fazenda podem servir de trampolim para o microrganismo “pular” para seres humanos.

Não há vacina nem remédios para o Nipah 

Verdade. A OMS inclusive encoraja pesquisas para desenvolver um imunizante contra o vírus, mas por ora não há fórmula testada e validada em escala. Os antivirais por enquanto são experimentais – não há um antídoto eficaz e validado para deter o vírus em si. Resta aos médicos lançar mão de um tratamento de suporte, com hidratação, medicamentos para conter a inflamação e outras medidas, em geral adotadas, quando possível, em UTI.