Anvisa manda recolher lotes de fórmula infantil da Nestlé por excesso de iodo e selênio

Anvisa determinou o recolhimento de dez lotes do Alfamino 400g por excesso de micronutrientes; Nestlé atribui o caso a erro de conversão de dados

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Alfamino, da Nestlé, foi recolhido por excesso de iodo e selênio (Nestlé/Reprodução)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de dez lotes da fórmula infantil Alfamino 400g, produzida pela Nestlé, após identificar concentrações de selênio e iodo acima dos limites estabelecidos pelas normas sanitárias. A medida foi publicada no Diário Oficial da União.

O que foi identificado

De acordo com a Anvisa, análises laboratoriais detectaram:

Lotes atingidos

O recolhimento envolve os seguintes lotes do Alfamino 400g:

Os valores superam os parâmetros definidos para fórmulas infantis destinadas a lactentes e crianças na primeira infância com necessidades dietoterápicas específicas, grupo que inclui produtos isentos de lactose e formulados à base de aminoácidos livres, como é o caso do Alfamino.

Por se tratar de um alimento voltado a bebês com condições clínicas específicas, a composição nutricional deve obedecer a critérios rigorosos. Alterações na concentração de micronutrientes podem representar risco, especialmente nessa faixa etária, em que o metabolismo e os sistemas orgânicos ainda estão em desenvolvimento.

O excesso de iodo é conhecido por provocar disfunções na tireoide, como hipotireoidismo e hipertireoidismo. Já o excesso de selênio pode causar problemas gastrointestinais, incluindo náuseas, vômitos e diarreia.

Nestlé alega erro de conversão

Procurada pela reportagem, a Nestlé afirmou que foi surpreendida pela medida e que está em contato com a Anvisa para prestar esclarecimentos.

Segundo a empresa, os valores apontados pela agência decorrem de um erro de conversão na declaração da unidade de medida nos laudos apresentados à agência sanitária. Onde constava selênio de 31,1 microgramas por 100 kcal e iodo de 175,7 microgramas por 100 kcal, os números corretos seriam, de acordo com a companhia, 3,11 microgramas por 100 kcal e 17,57 microgramas por 100 kcal, respectivamente.

A Nestlé sustenta que, considerados os valores corretos, os níveis estão dentro dos limites previstos na legislação e afirma que seus produtos atendem aos parâmetros regulatórios.