China assume liderança nas exportações de fertilizantes ao Brasil

Mudança no perfil das importações pressiona a cadeia produtiva e reforça a necessidade de diversificação de fornecedores.Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp Clique para compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram

BATANEWS/OPR


Foto: Claudio Neves

A China ultrapassou a Rússia e se tornou, em 2025, a principal fornecedora de fertilizantes ao Brasil, reforçando a dependência do agronegócio nacional das políticas de exportação chinesas e ampliando a preocupação com custos logísticos em alta. A mudança ocorre em um momento de maior volatilidade no mercado global e tende a influenciar diretamente o planejamento de compra dos produtores rurais.

De janeiro a outubro, o Brasil importou 38,3 milhões de toneladas de fertilizantes, volume superior às 36,7 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O avanço foi impulsionado sobretudo pela China, que embarcou 9,76 milhões de toneladas ao país, cerca de 25% de todo o fertilizante importado no ano.

O crescimento é expressivo em relação ao ano anterior, quando os chineses forneceram 6,6 milhões de toneladas, o equivalente a 18% do total. Com isso, o país asiático ganhou espaço antes ocupado pela Rússia, tradicional líder no mercado brasileiro.

A ampliação da presença chinesa traz implicações estratégicas ao Brasil. Como o abastecimento passa a depender mais das diretrizes comerciais definidas por Pequim, o produtor rural fica mais vulnerável a eventual mudanças nas regras de exportação, limitações sazonais ou readequações internas do mercado chinês. Além disso, a distância geográfica amplia custos logísticos e pode pressionar o preço final do insumo no país.

O cenário reforça a necessidade de planejamento mais cauteloso por parte dos agricultores e reacende o debate sobre diversificação de fornecedores e estímulo à produção nacional de fertilizantes, especialmente em um momento em que o consumo interno segue elevado e fundamental para sustentar a competitividade do agronegócio brasileiro.