Valor da produção agrícola em MS despenca mais de 30% em 2024, aponta IBGE

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Impacto é consequência de queda na produção de culturas importantes, como soja e milho - Reprodução: Wenderson Araujo/Trilux

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou, nesta quinta-feira (11), a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2024, revelando um forte recuo na produção agrícola de Mato Grosso do Sul. O levantamento mostra que a quantidade produzida e o valor da produção registraram queda superior a 30% em comparação com 2023.

Em valores, a produção agrícola sul-mato-grossense somou R$ 35,7 bilhões em 2024, contra R$ 51,5 bilhões no ano anterior – retração de 30,8%. Essa foi a maior queda desde 2018, quando a redução havia sido de apenas 2,08%.

Soja perde espaço

Principal cultura do estado, a soja sofreu impacto expressivo. A produção caiu 20,4% em relação a 2023, totalizando 11,3 milhões de toneladas. Com isso, Mato Grosso do Sul perdeu uma posição no ranking nacional, passando para a 5ª colocação, com participação de 7,8% da safra brasileira.

A receita da oleaginosa também despencou: foram R$ 19,2 bilhões em 2024, queda de 43,4% no valor da produção.

Milho em retração

Outro destaque negativo foi o milho. A produção estadual sofreu redução de 41,4%, acompanhada da queda de 7,5% na área plantada e 8,4% na área colhida. Ainda assim, a cultura segue como a segunda maior do estado em área, representando 30,6% do total destinado à colheita – atrás apenas da soja, que ocupa 55,9%. Mesmo com a retração, Mato Grosso do Sul manteve-se como o 4º maior produtor de milho do Brasil em 2024.

Queda em nível nacional

A retração não foi exclusividade sul-mato-grossense. Em todo o país, a produção agrícola enfrentou o segundo ano consecutivo de queda no valor de produção. Segundo o IBGE, fatores como a retomada da safra argentina, o arrefecimento da demanda internacional e a queda nos preços de commodities pressionaram o setor.

Além disso, as adversidades climáticas tiveram peso decisivo. De acordo com o supervisor da pesquisa, Winicius Wagner, o fenômeno El Niño prejudicou as lavouras de verão.

“Ele causou uma estiagem prolongada severa em regiões como Centro-norte, Sudeste e parte do Paraná”, explicou.